Belém – Cascais

Caminhada de Belém até Cascais, a 6 de março de 2016

Na senda de “Percorrer a costa de Portugal a pé”, fiz mais uma caminhada, desta vez com o Igor, que me acompanhou também, no ano passado, na travessia das ilhas da ria Formosa.

belem-cascais-trip

Trip name: Belém (Estação Fluvial) – Cascais (Farol)
Average speed: 5.111 km/h
Maximum speed: 8.263 km/h
Time: 04h 46m 03.059s
Total length: 24.369 km

Esta caminhada foi pensada de improviso. Há uns tempos que andava a tentar combinar, com o Igor, uma caminhada longa: de Cascais à Nazaré. São cento e sete quilómetros para tentar fazer em dois dias. Mas o tempo tem estado frio, de noite, e não queríamos levar tenda para não irmos muito pesados, por isso adiámos esse desafio para mais tarde. Em substituição, decidimos e agendámos o percurso Belém-Cascais apenas com dois dias de antecedência.

Fui de carro até Belém, mas estacionei, por engano, cerca de um quilómetro a leste da estação fluvial, onde tínhamos combinado encontrar-nos. Comecei a caminhar para a estação e telefonei ao Igor: vinha a correr e estava, naquele momento, por baixo da Ponte 25 de Abril.

Belem-1

Cheguei à estação fluvial e esperei. O Igor atrasou-se. Tinha estado “nos copos” com os amigos na noite anterior e, só quando se deitou, às 6h da manhã, é que se lembrou da caminhada. Acordou às 9h e veio a correr desde a Avenida da Liberdade até Belém, para acordar.

EstacaoFluvial

Saímos às 10h25, com o Padrão dos Descobrimentos ao nosso lado. Mais tarde, na Torre de Belém, fizémos mais um autorretrato, com a fila de visitantes ao fundo.

Padrao
Torre

Naquela zona de Lisboa, não é possível fazer o caminho mesmo junto à água, por causa das docas. Nalguns casos, teríamos que contornar as docas, caso fizéssemos questão de caminhar mesmo à beira mar; noutros casos, nem sequer é possível pois essas docas são de acesso privado. Tivémos, então, que seguir, muitas vezes, pela avenida de Brasília.

Logo a seguir à Torre de Belém fica o edifício da Fundação Champalimaud: é um edifício moderno, de linhas arredondadas, com uns óculos gigantescos, uma engenharia impressionante.

Chapalimaud

Contornámo-lo pela fachada sul. Para além do edifício, também o passeio marítimo está extremamente bem desenhado e cuidado. Todo aquele design cria um ambiente calmo, propício às atividades curativas da fundação.

Depois, tivémos que contornar a doca de Pedrouços, cujo acesso está vedado ao público. Voltámos outra vez à avenida de Brasília, por onde caminhámos até Algés.

Alges

Passámos debaixo do viaduto da A36, em Algés, e seguimos pelo Passeio Marítimo de Algés. Ao longo de todo o percurso até Cascais, avistámos diversos palácios e palacetes, alguns deles abandonados. Eis um que se via do Passeio Marítimo de Algés, ao chegar ao Dafundo.

Alges-Palacio

Na Cruz Quebrada, o passeio marítimo está interrompido devido a obras. Tivémos que passar para o lado norte da linha de comboio, e subir até à estrada nacional N6.

CruzQuebrada

Passámos a ponte ferroviária sobre o rio Jamor. É uma ponte em estrutura metálica, com espaço reservado à passagem de peões. Segue uma fotografia do Google Street View que, para além das imagens das estradas, tem também imagens das linhas de comboio.

CruzQuebrada-Ponte

Enquanto o passeio marítimo não estiver recuperado, tem que se fazer o percurso, a pé, pela N6 – a famigerada e perigosa Estrada Marginal – até Caxias.

Caxias-1A

O passeio para peões, por vezes era tão estreito, que só podia passar uma pessoa de cada vez. De vez em quando, passava um corredor e tínhamos que nos encostar ao muro para nos conseguirmos cruzar. Quase a chegar a Caxias, e antes da N6 começar a descer, passa-se no Farol da Gibalta. Um farol emplemático, e que sempre me fascinou, pela posição que ocupa e a visibilidade que tem.

FarolDaGibalta

Tinha começado a chover, quando chegámos a Caxias, e tivémos que vestir os casacos. O tempo estava muito variável: tanto fazia sol e calor, como frio e chuva. Saímos da marginal e descemos para a praia de São Bruno. Caminhámos pela areia até ao forte com o mesmo nome da praia, e depois, novamente pela areia da praia de Caxias, até ao Forte de Nossa Senhora de Porto Salvo.

Caxias-ForteDeSBruno-A
Caxias-ForteDeNSraPortoSalvo-A

A passagem da praia de Caxias para ese último forte, só se pode fazer com maré vazia. Passa-se por cima de pedras escorregadias e é conveniente que a água não esteja agitada, para não causar ondulação. Uma onda mais forte rebentou nas pedras e molhou-me os pés.

A seguir a Caxias, para oeste, vem Paço d’Arcos. Mesmo à entrada, escondido numa reentrância da estrada, está este belo painel de azuleijos, bastante bem conservado, e num espaço mais ou menos limpo.

PacoDArcos

Passámos Paço d’Arcos e descemos para o Passeio Marítimo de Oeiras. Ao fundo para sul, avista-se a Torre do Bugio.

Bugio

A primeira praia é Santo Amaro de Oeiras, e não Oeiras, como os locais fizeram questão em frisar. Eu conheço todos aqueles nomes, desde sempre. Mas não sei que povoação vem antes de qual, nem sei se tocam o rio ou o mar, ou se se confinam apenas ao interior. Esta caminhada ajudou-me a acertar as ideias e alinhar todos estes locais. Vão ficar escritos, mas não memorizados. Pelo menos para já.

StoAmaro

Um pouco mais à frente, e já com frio e céu nublado, chegámos a Oeiras e à marina de barcos de recreio. Já aqui tinha estado, uma vez, reunido com uma ex-aluna designer por causa de um jogo que eu estava a desenvolver. O jogo – Domains’ Quest – chegou a ter algum sucesso, com muitos jogadores a competir entre si, mas tive que o remodelar por diversas vezes e, com isso, fui perdendo clientes.

Oeiras

O sol voltou quando já estávamos em Carcavelos. As meninas do surf vinham a chegar da água e ficaram debaixo do duche a rebolar as ancas. Fotografei para a posteridade. 🙂

Carcavelos-1

As esplanadas estavam repletas de turistas, não veraneantes, porque ainda era inverno, talvez invernantes, mas a tirar o melhor partido de um dia que, por vezes, era quente e de sol.

Carcavelos-3

Contornámos o mamarracho do Sushi à nossa frente e, de repente, fomos surpreendidos por um novo tipo de locomoção: o skate puxado a cão. Um tipo, na casa dos vinte e tal anos, vinha em cima do skate e segurava um cão pela trela, que o puxava. 🙂 Não fotografei, porque estava entretido a tentar fazer a foto seguinte, que até saiu bem.

Carcavelos-2

O sol escondeu-se, de novo, e as poucas banhistas, que ainda estavam na praia, começaram a vestir-se para sairem.

Carcavelos-4

Entretanto, o passeio marítimo terminou. Chegámos à Parede.

Parede-1

À entrada da povoação, surge o imponente edifício do Hospital de Sant’Ana. É um edifício com mais de cem anos, e que, visto de longe, parece ter a fachada alinhada verticalmente com a falésia.

Parede-2

Parámos, mas à frente, no topo da falésia, em São Pedro do Estoril, para almoçar. Eu levei um arroz de polvo que tinha sobrado de uma refeição anterior, em casa. Temperei-o bem com piri-piri, para conservar, mas também para me dar ânimo. No fim comi uma tangerina e bebi meio litro de café.

Polvo

Antes de partirmos novamente, fui urinar junto de uns catos e fotografei um caso estranho que me fez lembrar “O Rouxinol e a Rosa” do Oscar Wilde.

Rouxinol+Rosa

Continuámos até São João do Estoril, pela N6. A estrada é ladeada por vivendas, e os automóveis passam depressa. Assim que encontrámos uma abertura para o mar, na Rua Vasco da Gama, decidimos tentar passar. Infelizmente deparámos com um beco sem saída e tivémos que voltar à N6.

SaoJoao-3A
SaoJoao-1A
SaoJoao-2A

Um pouco mais à frente, tivémos mais sorte. Descemos pela Travessa da Praia da Azarujinha e chegámos à praia. A partir dali, continuámos sempre junto ao mar, até Cascais.

Azarujinha

Pelo caminho, na praia do Tamariz, apanhámos uma loura a bronzear a barriga. 🙂

Loura

E chegámos, por fim a Cascais. Eu tinha algumas dores nos pés, provavelmente causadas pelas botas que não eram adequadas para grandes caminhadas. Mas só vim a descobrir isso mais tarde.

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