{"id":168,"date":"2015-10-07T01:44:29","date_gmt":"2015-10-07T00:44:29","guid":{"rendered":"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/?p=168"},"modified":"2016-03-29T11:39:08","modified_gmt":"2016-03-29T10:39:08","slug":"168","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/?p=168","title":{"rendered":"Ilhas da Ria Formosa \u2013 cap\u00edtulo III"},"content":{"rendered":"<p>O terceiro tro\u00e7o do percurso foi a travessia da ilha da Barreta de oeste para leste, at\u00e9 \u00e0 barra de Faro.<\/p>\n<p>Cheg\u00e1mos \u00e0 ilha da Barreta Barrinha \u00e0s 20h18m do dia 25 de setembro de 2015. Sec\u00e1mo-nos, vestimos a roupa e continu\u00e1mos a caminhada, agora com a lua cheia j\u00e1 no horizonte, de frente para n\u00f3s.<\/p>\n<p>A imagem seguinte cont\u00e9m o percurso registado pela aplica\u00e7\u00e3o <a href=\"http:\/\/highwaystar.org\">Highway Star<\/a> que desenvolvi para o sistema operativo Android.<\/p>\n<p>O ficheiro KML do percurso est\u00e1 aqui: <a href=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/dados\/riaformosa\/RiaFormosa-cap3.kml\">RiaFormosa-cap3.kml<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/01\/Ilhas-mapa-03.jpg\" rel=\"attachment wp-att-169\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-169\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/01\/Ilhas-mapa-03-640x297.jpg\" alt=\"Ilhas-mapa-03\" width=\"640\" height=\"297\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/01\/Ilhas-mapa-03-640x297.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/01\/Ilhas-mapa-03-1024x476.jpg 1024w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/01\/Ilhas-mapa-03-100x46.jpg 100w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/01\/Ilhas-mapa-03.jpg 1784w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><\/p>\n<p>In\u00edcio: 25-09-2015, 20:24<br \/>\nVelocidade m\u00e9dia: 4.913 km\/h<br \/>\nTempo: 01h 12m 29.675s<br \/>\nEspa\u00e7o: 5.936 km<\/p>\n<p>A Barreta \u00e9 a ilha mais a sul do continente portugu\u00eas. Sempre tive vontade de visitar a Barreta e de estar no ponto mais a sul de Portugal continental. Fiz f\u00e9rias na ilha da Culatra, tanto no n\u00facleo de pescadores, como na zona balnear do Farol, durante muitos anos e nunca tinha tido oportunidade de ir \u00e0 Barreta. Fiquei com a sensa\u00e7\u00e3o de que a Barreta &#8211; ou Deserta &#8211; era um local inacess\u00edvel, ou apenas acess\u00edvel a alguns priveligiados com barco, com autonomia para a visitarem quando quisessem.<\/p>\n<p>Quando coloquei os p\u00e9s na ilha da Barreta senti uma felicidade extrema e dif\u00edcil de explicar. Ao caminhar pela Barreta tive a sensa\u00e7\u00e3o de ter conquistado um basti\u00e3o que me esperava h\u00e1 muito, um marco que eu precisava de alcan\u00e7ar, um obst\u00e1culo que eu precisava de vencer. N\u00e3o de uma forma simplista, alugando um barco-t\u00e1xi como um turista, mas com um esfor\u00e7o, uma dificuldade e uma perigosidade, inerentes ao desconhecimento da travessia, e apenas com meios pr\u00f3prios. E consegui.<\/p>\n<p>Caminh\u00e1mos a custo durante cerca de quatro quil\u00f3metros at\u00e9 come\u00e7armos a vislumbrar, ao fundo, uma inflex\u00e3o na costa para norte. Est\u00e1vamos a chegar ao ponto mais a sul de Portugal. A lua j\u00e1 estava alta e par\u00e1mos para tirar uns autorretratos no local.<\/p>\n<p>Ilha da Barreta, no ponto mais a sul de Portugal continental, 25-09-2015, 21h12m<br \/>\n36\u00b057&#8217;36.5796&#8243; N, 007\u00b053&#8217;13.3404&#8243; W<br \/>\n<a href=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/01\/Barreta-1.jpg\" rel=\"attachment wp-att-173\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-173\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/01\/Barreta-1-640x480.jpg\" alt=\"Barreta-1\" width=\"640\" height=\"480\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/01\/Barreta-1.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/01\/Barreta-1-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Da\u00ed at\u00e9 \u00e0 barra de Faro s\u00e3o mais dois quil\u00f3metros. Demor\u00e1mos mais vinte e quatro minutos a concluir o percurso.<\/p>\n<p>Pelo caminho fotografei um covo que se soltou de uma arma\u00e7\u00e3o de algum pescador e deu \u00e0 costa.<br \/>\n<a href=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/01\/Barreta-2.jpg\" rel=\"attachment wp-att-175\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-175\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/01\/Barreta-2-640x480.jpg\" alt=\"Barreta-2\" width=\"640\" height=\"480\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/01\/Barreta-2.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/01\/Barreta-2-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Entretanto calcei as sand\u00e1lias. A dificuldade em caminhar agudizava-se a cada passo. Caminhava inclinado para a frente, para n\u00e3o ter que fazer tanta for\u00e7a com as pernas, nem com os p\u00e9s, para tentar aliviar as dores nas articula\u00e7\u00f5es t\u00e1rsicas. Procurei um caminho mais plano para n\u00e3o esfor\u00e7ar tanto os joelhos e as ancas. Mas o caminho plano tinha areia mais mole e for\u00e7ava mais as articula\u00e7\u00f5es dos p\u00e9s. Cada passo era um mart\u00edrio. Por vergonha n\u00e3o parei.<\/p>\n<p>As sand\u00e1lias est\u00e3o velhas e secas e feriram-me o tornozelo direito. Felizmente levei tr\u00eas pensos r\u00e1pidos que fui usando para proteger a ferida da sand\u00e1lia.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/01\/snadalias-640x480.jpg\" alt=\"snadalias\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-medium wp-image-194\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/01\/snadalias.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/01\/snadalias-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>Cheg\u00e1mos ao molhe oeste da barra de Faro \u00e0s 21h36m. Jant\u00e1mos e telefon\u00e1mos \u00e0 fam\u00edlia, para os colocar a par dos acontecimentos, e para os deixar descansados. Enviei o percurso registado na minha App <a href=\"http:\/\/highwaystar.org\">Highway Star<\/a> para o servidor, tal como fiz sempre no final de cada tro\u00e7o, para a minha mulher poder consultar.<\/p>\n<p>Os p\u00e9s latejavam. Descalcei-me e assentei as plantas dos p\u00e9s no bet\u00e3o do molhe para tentar obter algum al\u00edvio, mas em v\u00e3o. Tinha os p\u00e9s inchados e doridos e do\u00edam-me tamb\u00e9m os tornozelos.<\/p>\n<p>Era de noite, mas a lua cheia iluminava toda a \u00e1rea circundante e era pos\u00edvel ver, com alguma clareza, os pescadores no molhe leste, assim como todas as embarca\u00e7\u00f5es que navegavam nas imedia\u00e7\u00f5es, mesmo que algumas n\u00e3o tivessem ilumina\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>Depois de jantarmos, descans\u00e1mos uns minutos e decidi, ent\u00e3o, percorrer o molhe de norte a sul para estudar a forma de entrar dentro de \u00e1gua na mar\u00e9 seguinte e passar a barra de Faro at\u00e9 \u00e0 ilha da Culatra\/Farol. O molhe oeste tem cerca de quinhentos metros de comprimento que percorri nos dois sentidos, num total de mil metros.<\/p>\n<p>Desloquei-me primeiro \u00e0 extremidade sul do molhe, at\u00e9 ao farol, e desci, pelos blocos de cimento, at\u00e9 junto da \u00e1gua. A mar\u00e9 estava a encher e a corrente era fort\u00edssima no extremo do pont\u00e3o. Com a mar\u00e9 parada talvez consegu\u00edssemos entrar dentro de \u00e1gua naquele local. A extremidade sul do pont\u00e3o oeste \u00e9 o ponto da ilha da Barreta que est\u00e1 mais pr\u00f3ximo do molhe da ilha da Culatra. Fica apenas a duzentos metros de dist\u00e2ncia. Se fosse poss\u00edvel entrar na \u00e1gua nesse local, s\u00f3 ter\u00edamos que nadar duzentos metros na barra de Faro, que \u00e9 a barra mais perigosa de todas as que ter\u00edamos que passar. \u00c9 uma barra atravessada por cargueiros que se destinam ao porto de Faro, lanchas, traineiras e outros barcos de pesca e recreio, todos eles mais r\u00e1pidos do que n\u00f3s.<\/p>\n<p>Caminhei, depois, ao longo do molhe, para norte, \u00e0 procura de outros locais onde fosse poss\u00edvel entrar na \u00e1gua para atravessar a barra. Apesar das dores nos p\u00e9s, percorri o molhe de sul a norte, pois n\u00e3o conseguiria dormir em paz se n\u00e3o encontrasse uma solu\u00e7\u00e3o vi\u00e1vel para a passagem da barra.<\/p>\n<p>Espalhados ao longo do molhe, estavam mais de trinta pescadores \u00e0 cana que iam pescando, aqui e ali, bailas e robalos. Tinham montado tendas na areia junto ao molhe, do lado da ilha, onde guardavam as bebidas e comida que os iriam manter ali durante a noite.<\/p>\n<p>Era de noite, a visibilidade era limitada, n\u00e3o era f\u00e1cil fazer uma an\u00e1lise precisa da configura\u00e7\u00e3o do molhe, mas pareceu-me que havia apenas dois locais por onde poder\u00edamos aceder ao mar a partir do molhe: a extremidade sul, ou a extremidade norte. A extremidade sul distava apenas duzentos metros da ilha da Culatra, sendo por isso o acesso mais seguro, enquanto a extremidade norte distava mais de seiscentos metros.<\/p>\n<p>Havia uma terceira possibilidade de acesso ao mar. Poder\u00edamos entrar na \u00e1gua a partir da praia da Barreta junto ao molhe. Ter\u00edamos apenas que contornar o extremidade sul do molhe e, depois, nadar mais duzentos metros. No total nadar\u00edamos cerca de trezentos metros.<\/p>\n<p>De manh\u00e3, com mais visibilidade, analisar\u00edamos melhor as tr\u00eas op\u00e7\u00f5es e ent\u00e3o tomar\u00edamos a decis\u00e3o de como passar a barra. <\/p>\n<p>Decidimos, ent\u00e3o, ir dormir. Escolhemos uma depress\u00e3o na areia, com seis por dez metros, junto a uma pequena edifica\u00e7\u00e3o em alvenaria, de base quadrada, com cerca de tr\u00eas metros de lado. Fic\u00e1mos nas traseiras das tendas dos pescadores. O ar esfriou um pouco mais do que o previsto, havia algum vento, embora fraco, e humidade, vindos de oeste, mas essa zona rebaixada protegia-nos do ar mar\u00edtimo mais fresco.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/01\/Barreta-4.jpg\" rel=\"attachment wp-att-205\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/01\/Barreta-4-640x480.jpg\" alt=\"Barreta-4\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-medium wp-image-205\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/01\/Barreta-4.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/01\/Barreta-4-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><br \/>\nImagem do <a href=\"https:\/\/www.google.pt\/maps\/@36.9652925,-7.8710628,50m\/data=!3m1!1e3\">Google Maps<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O terceiro tro\u00e7o do percurso foi a travessia da ilha da Barreta de oeste para leste, at\u00e9 \u00e0 barra de Faro. 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