{"id":240,"date":"2015-10-12T01:01:19","date_gmt":"2015-10-12T00:01:19","guid":{"rendered":"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/?p=240"},"modified":"2016-07-11T21:20:17","modified_gmt":"2016-07-11T20:20:17","slug":"ilhas-da-ria-formosa-capitulo-viii","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/?p=240","title":{"rendered":"Ilhas da Ria Formosa \u2013 cap\u00edtulo VIII"},"content":{"rendered":"<p>O oitavo tro\u00e7o foi a passagem da barra Armona-Tavira a nado.<\/p>\n<p>A imagem seguinte cont\u00e9m o percurso registado pela aplica\u00e7\u00e3o <a href=\"http:\/\/highwaystar.org\">Highway Star<\/a> que desenvolvi para o sistema operativo Android.<\/p>\n<p>O ficheiro KML do percurso est\u00e1 aqui: <a href=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/dados\/riaformosa\/RiaFormosa-cap8.kml\">RiaFormosa-cap8.kml<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2015\/10\/Ilhas-mapa-08.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2015\/10\/Ilhas-mapa-08-640x294.jpg\" alt=\"Ilhas-mapa-08\" width=\"640\" height=\"294\" class=\"alignnone size-medium wp-image-730\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2015\/10\/Ilhas-mapa-08-640x294.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2015\/10\/Ilhas-mapa-08-1024x470.jpg 1024w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2015\/10\/Ilhas-mapa-08-100x46.jpg 100w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2015\/10\/Ilhas-mapa-08.jpg 1784w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><br \/>\nIn\u00edcio: 26-09-2015, 18:09<br \/>\nVelocidade m\u00e9dia: 2.274 km\/h<br \/>\nTempo: 00h 28m 39.002s<br \/>\nEspa\u00e7o: 1.086 km<\/p>\n<p>Quando depar\u00e1mos com esta extens\u00e3o de po\u00e7as intervaladas por montes de areia, pens\u00e1mos tratar-se apenas disso: um monte de po\u00e7as. Mas n\u00e3o consegu\u00edamos vislumbrar o fim das po\u00e7as, e as dunas mais pr\u00f3ximas, para nordeste para l\u00e1 das po\u00e7as, pareciam estar a mais de um quil\u00f3metro de dist\u00e2ncia. Ainda ponder\u00e1mos avan\u00e7ar pelas po\u00e7as sem nos despirmos pois a \u00e1gua n\u00e3o era muito profunda, tanto quanto a nossa vista alcan\u00e7ava. Mas se, mais \u00e0 frente, a situa\u00e7\u00e3o mudasse, poderia ser dif\u00edcil mudarmos de roupa no meio da areia molhada, com os p\u00e9s a enterrarem-se e sem um espa\u00e7o completamente seco para pousarmos a mochila e trocarmos a roupa.<\/p>\n<p>Sa\u00edmos, ent\u00e3o, preparados para \u00e1guas profundas, pelo meio da \u00e1gua que serpenteava entre pequenos montes de areia. A \u00e1gua corria com for\u00e7a para o mar &#8211; a mar\u00e9 estava a vazar &#8211; e a configura\u00e7\u00e3o da areia e das po\u00e7as mudava constantemente. Onde agora estava areia, da\u00ed a pouco era \u00e1gua, e a maior parte da areia estava t\u00e3o solta e envolvida por \u00e1gua, que as nossas pernas se enterravam por vezes at\u00e9 ao joelho.<\/p>\n<p>No meio da barra, com a ilha de Tavira l\u00e1 muito ao fundo<br \/>\n<a href=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2015\/10\/Armona-Tavira-01.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2015\/10\/Armona-Tavira-01-640x480.jpg\" alt=\"Armona-Tavira-01\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-medium wp-image-752\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2015\/10\/Armona-Tavira-01.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2015\/10\/Armona-Tavira-01-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O caminho todo estendeu-se por mais de um quil\u00f3metro, e cerca de metade foi feito a andar a p\u00e9 nestas areias m\u00f3veis. \u00c0 medida que nos \u00edamos aproximando das dunas mais elevadas que se viam l\u00e1 ao fundo a nordeste e que, segundo o mapa, ainda faziam parte da ilha da Armona sendo estas po\u00e7as, por esse motivo, um acidente no percurso, come\u00e7\u00e1mos a aperceber-nos de uma corrente forte que corria da ria para o mar mesmo junto, e antes, das ditas dunas.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2015\/10\/Armona-Tavira-02.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2015\/10\/Armona-Tavira-02-640x480.jpg\" alt=\"Armona-Tavira-02\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-medium wp-image-753\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2015\/10\/Armona-Tavira-02.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2015\/10\/Armona-Tavira-02-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Eram 18h20m e a mar\u00e9 vazia estava prevista apenas para as 20h05m. Por esse motivo esta corrente forte n\u00e3o era surpresa nenhuma. Mas n\u00f3s n\u00e3o pod\u00edamos esperar que a mar\u00e9 vazasse, caso contr\u00e1rio, arrisc\u00e1vamo-nos a n\u00e3o chegar a tempo \u00e0 barra Armona-Tavira que deveria estar dois a tr\u00eas quil\u00f3metros mais \u00e0 frente, segundo o mapa. Caminh\u00e1mos, ent\u00e3o pelos montes de areia, no sentido da ria, quase para norte, de forma a apanharmos a corrente o mais dentro da ria poss\u00edvel pois, assim que entr\u00e1ssemos na \u00e1gua, ser\u00edamos arrastados para o mar. O objetivo era ir nadando para nordeste, \u00e0 medida que a corrente nos arrastava para sul, e tentar chegar \u00e0 areia seca antes de chegar ao mar.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi f\u00e1cil, foi um esfor\u00e7o intenso. Talvez o esfor\u00e7o mais intenso de toda a travessia das ilhas. Nadar contra a corrente \u00e9 ingl\u00f3rio e perigoso e aqueles foram, provavelmente, os quinze minutos mais , imprevis\u00edveis e assustadores daqueles dias.<\/p>\n<p>Virei-me para as dunas, nadei em frente e estava a ser arrastado, a grande velocidade, para o lado, para o mar aberto. Por mais for\u00e7a que fizesse, a bater os p\u00e9s, a puxar com os bra\u00e7os, o deslizamento na horizontal era muito superior ao avan\u00e7o para a frente.<\/p>\n<p>Foram quinze minutos aflitivos, sempre com muita aten\u00e7\u00e3o, e a cada bra\u00e7ada corrigia as previs\u00f5es sobre se seria poss\u00edvel chegar ao outro lado, se valia a pena o esfor\u00e7o, ou se desistia e arriscava ser arrastado para o mar para, depois, voltar a terra, a nado, para a praia.<\/p>\n<p>J\u00e1 estava perto, quando percebi que j\u00e1 tinha p\u00e9. Saltei da prancha e arrastei-me, \u00e0 for\u00e7a de pernas, contra a corrente. Cheguei enfim \u00e0 areia seca. N\u00e3o me despi logo, pois pensei que a ainda esperada barra Armona-Tavira estivesse a uns dois quil\u00f3metros de dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Enquanto esperava pelo Igor, reparei num barco cabinado que tentava entrar pelo canal de \u00e1gua vazante, vindo do mar. A \u00e1gua sa\u00eda da ria a grande velocidade e via-se, a cada minuto, o n\u00edvel da \u00e1gua a descer. \u00c9 normal que seja assim, est\u00e1vamos numa semana de mar\u00e9s vivas.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2015\/10\/Armona-Tavira-03.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2015\/10\/Armona-Tavira-03-640x477.jpg\" alt=\"Armona-Tavira-03\" width=\"640\" height=\"477\" class=\"alignnone size-medium wp-image-755\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2015\/10\/Armona-Tavira-03.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2015\/10\/Armona-Tavira-03-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Mesmo junto ao mar o canal serpenteava duas vezes: primeiro para oeste e depois para leste. O barco entrou no canal, aparentemente sem problemas e com uma velocidade razo\u00e1vel, tendo em conta a corrente que lhe era contr\u00e1ria. Mas ao chegar a meio bateu num banco de areia, afocinhou de proa e levantou a r\u00e9. O comandante deu mais for\u00e7a ao motor, mas o barco n\u00e3o voltou a sair do s\u00edtio. Ainda adernou para ambos os lados, mas n\u00e3o se mexeu mais. Ao fim de dez minutos j\u00e1 tinha o h\u00e9lice fora de \u00e1gua.<\/p>\n<p>Entretanto, o Igor chegou. Subi at\u00e9 \u00e0 areia seca para tentar avistar a barra Armona-Tavira, que, segundo o mapa e os meus c\u00e1lculos, deveria estar a cerca de dois ou tr\u00eas quil\u00f3metros de dist\u00e2ncia. N\u00e3o consegui vislumbr\u00e1-la. Decidimos vestir-nos para voltar a caminhar uma vez que a barra parecia estar ainda longe.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2015\/10\/Armona-Tavira-04.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2015\/10\/Armona-Tavira-04-640x480.jpg\" alt=\"Armona-Tavira-04\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-medium wp-image-756\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2015\/10\/Armona-Tavira-04.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2015\/10\/Armona-Tavira-04-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Continu\u00e1mos a caminhar, mas s\u00f3 bastante tempo mais \u00e0 frente \u00e9 que percebemos que j\u00e1 est\u00e1vamos na ilha de Tavira. A for\u00e7a da \u00e1gua, e das correntes di\u00e1rias, tinha dado uma configura\u00e7\u00e3o diferente \u00e0s ilhas e \u00e0 barra que as separa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O oitavo tro\u00e7o foi a passagem da barra Armona-Tavira a nado. A imagem seguinte cont\u00e9m o percurso registado pela aplica\u00e7\u00e3o Highway Star que desenvolvi para o sistema operativo Android. 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