{"id":246,"date":"2015-10-14T01:14:23","date_gmt":"2015-10-14T00:14:23","guid":{"rendered":"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/?p=246"},"modified":"2016-07-12T16:24:56","modified_gmt":"2016-07-12T15:24:56","slug":"ilhas-da-ria-formosa-capitulo-x","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/?p=246","title":{"rendered":"Ilhas da Ria Formosa \u2013 cap\u00edtulo X"},"content":{"rendered":"<p>O d\u00e9cimo tro\u00e7o foi a passagem da barra Tavira-Cabanas (4 \u00e1guas) a nado.<\/p>\n<p>A imagem seguinte cont\u00e9m o percurso registado pela aplica\u00e7\u00e3o <a href=\"http:\/\/highwaystar.org\">Highway Star<\/a> que desenvolvi para o sistema operativo Android.<\/p>\n<p>O ficheiro KML do percurso est\u00e1 aqui: <a href=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/dados\/riaformosa\/RiaFormosa-cap10.kml\">RiaFormosa-cap10.kml<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/01\/Ilhas-mapa-10.jpg\" rel=\"attachment wp-att-247\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/01\/Ilhas-mapa-10-640x292.jpg\" alt=\"Ilhas-mapa-10\" width=\"640\" height=\"292\" class=\"alignnone size-medium wp-image-247\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/01\/Ilhas-mapa-10-640x292.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/01\/Ilhas-mapa-10-1024x467.jpg 1024w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/01\/Ilhas-mapa-10-100x46.jpg 100w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/01\/Ilhas-mapa-10.jpg 1784w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><\/p>\n<p>In\u00edcio: 27-09-2015, 08:09<br \/>\nVelocidade m\u00e9dia: 0.962 km\/h<br \/>\nTempo: 00h 15m 54.016s<br \/>\nEspa\u00e7o: 0.255 km<\/p>\n<p>Depois de mais uma noite muito mal dormida, com um vento fresco a agitar os arbustos em volta e a acordar-me com ru\u00eddos estranhos, com medo de ser acordado com mordeduras dos ratos, com o cheiro nauseabundo das fezes enterradas, acordei antes das 6h da manh\u00e3 e, quando me levantei j\u00e1 o Igor tinha tudo arrumado e pronto a partir.<\/p>\n<p>Fic\u00e1mos algum tempo a comtemplar o nascer do dia e a discutir estrat\u00e9gias. O Igor estava renitente em continuar, devido \u00e0s feridas nas coxas. Eu, por outro lado, j\u00e1 n\u00e3o tinha nada que comer, s\u00f3 \u00e1gua. O Igor deu-me um donut e uma salcicha &#8211; coisas que nunca como &#8211; e foi esse o meu pequeno almo\u00e7o.<\/p>\n<p>Arrumei o saco-cama, coloquei a mochila \u00e0s costas e caminh\u00e1mos at\u00e9 ao cais de embarque da ilha de Tavira, que fica no extremo nordeste da ilha. O Igor deslocava-se com muita dificuldade e decidiu abandonar a empresa. N\u00e3o consegui demov\u00ea-lo. Tamb\u00e9m n\u00e3o consegui arranjar uma forma de ele proteger as pernas de forma a poder continuar. Lev\u00e1vamos apenas o equipamento m\u00ednimo e nenhum desse equipamento era solu\u00e7\u00e3o para as feridas que ele tinha desenvolvido.<\/p>\n<p>Cheg\u00e1mos ao cais, j\u00e1 o sol batia de frente, quente. Apesar de ser domingo, havia uma draga \u00e0 entrada da barra, dentro da ria, a escavar o fundo. L\u00e1 mais \u00e0 frente, na ilha de Cabanas, havia obras tamb\u00e9m. V\u00e1rios tubos largos, semelhantes aos que encontr\u00e1mos na Culatra, estavam espalhados pela costa norte da ilha, que se encontrava toda vedada no extremo sudoeste.<\/p>\n<p>Ainda tentei convencer o Igor mais uma vez: s\u00f3 faltavam dez quil\u00f3metros para terminarmos o percurso. N\u00e3o consegui. Apesar de me doerem todas as articula\u00e7\u00f5es da cintura para baixo, incluindo as articula\u00e7\u00f5es t\u00e1rsica e metat\u00e1rsica, e de ter imensa dificuldade em andar, decidi continuar, para n\u00e3o ter que voltar mais tarde para p\u00f4r fim \u00e0quele empreendimento. O Igor ia ficar \u00e0 espera do barco-t\u00e1xi e eu despi-me e desci para a \u00e1gua, com a mochila \u00e0s costas e a prancha na m\u00e3o.<\/p>\n<p>A dist\u00e2ncia entre ilhas \u00e9 cerca de cem metros, que eu levaria por volta de cinco minutos a fazer a nado. Apesar de quase n\u00e3o haver barcos a circular \u00e0quela hora &#8211; oito horas da manh\u00e3 -, em cinco minutos podem aparecer v\u00e1rias lanchas r\u00e1pidas, com condutores distra\u00eddos e passarem-me por cima. Segui, a p\u00e9, dentro de \u00e1gua, por cima do lodo, junto ao pont\u00e3o, at\u00e9 ficar de frente para a ilha de Cabanas. Lancei-me \u00e0 \u00e1gua, com receio que o manobrador da draga chamasse a pol\u00edcia mar\u00edtima. N\u00e3o sei se \u00e9 proibido atravessar a barra &#8211; h\u00e1 quem atravesse o Canal da Mancha &#8211; mas lancei-me com convic\u00e7\u00e3o. A meio da barra surgiu uma lancha r\u00e1pida e eu bati os p\u00e9s com for\u00e7a, para levantar \u00e1gua e assinalar a minha presen\u00e7a. Penso que o condutor me viu e passou ao lado.<\/p>\n<p>Rapidamente cheguei a Cabanas. Subi at\u00e9 ao pont\u00e3o e o Igor telefonou-me a dizer que me tinha visto a chegar, e a desejar-me boa continua\u00e7\u00e3o de caminhada.<\/p>\n<p>Ilha de Tavira ao fundo. Autorretrato tirado \u00e0 chegada a Cabanas<br \/>\n<a href=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2015\/10\/Armona-Tavira-01-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2015\/10\/Armona-Tavira-01-1-640x480.jpg\" alt=\"Armona-Tavira-01\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-medium wp-image-768\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2015\/10\/Armona-Tavira-01-1.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2015\/10\/Armona-Tavira-01-1-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O d\u00e9cimo tro\u00e7o foi a passagem da barra Tavira-Cabanas (4 \u00e1guas) a nado. 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