{"id":288,"date":"2016-03-13T10:56:36","date_gmt":"2016-03-13T10:56:36","guid":{"rendered":"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/?p=288"},"modified":"2016-03-30T18:52:06","modified_gmt":"2016-03-30T17:52:06","slug":"cabo-espichel-setubal","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/?p=288","title":{"rendered":"Cabo Espichel &#8211; Set\u00fabal"},"content":{"rendered":"<p>Caminhada Cabo Espichel &#8211; Set\u00fabal, a 12 de mar\u00e7o de 2016<\/p>\n<p>Lancei o repto e apareceram v\u00e1rios participantes, talvez motivados pela divulga\u00e7\u00e3o das fotografias da caminhada da semana anterior.<\/p>\n<ul>\n<li>Pedro Belo, S\u00edlvia Rodrigues e a sua cadela Suki, de ra\u00e7a pug<\/li>\n<li>Cl\u00e1udia Rodrigues e a sua cadela Goma<\/li>\n<li>Nuno Louren\u00e7o<\/li>\n<li>Carlota Mendon\u00e7a, Cristina Mendon\u00e7a e uma amiga<\/li>\n<\/ul>\n<p>Provavelmente n\u00e3o se aperceberam da dificuldade e da extens\u00e3o do percurso, e do tempo que ir\u00edamos demorar, assim como do esfor\u00e7o total. Deviam pensar que era como nos contos de fadas: come\u00e7a agora e daqui a pouco j\u00e1 acabou&#8230; sem dor.<\/p>\n<p>O ficheiro KML do percurso est\u00e1 aqui: <a href=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/dados\/riaformosa\/Espichel-Setubal.kml\">Espichel-Setubal.kml<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/CaboEspichel-Setubal.jpg\" rel=\"attachment wp-att-289\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-289\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/CaboEspichel-Setubal-640x299.jpg\" alt=\"CaboEspichel-Setubal\" width=\"640\" height=\"299\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/CaboEspichel-Setubal-640x299.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/CaboEspichel-Setubal-1024x478.jpg 1024w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/CaboEspichel-Setubal-100x47.jpg 100w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/CaboEspichel-Setubal.jpg 1823w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Trip name: Cabo Espichel &#8211; Set\u00fabal<br \/>\nAverage speed: 3.96 km\/h<br \/>\nTime: 11h 37m 54.019s<br \/>\nTotal length: 46.062 km<\/p>\n<p>O Pedro e a S\u00edlvia chegaram a horas; t\u00ednhamos combinado \u00e0s 8h da manh\u00e3 em minha casa. O Pedro queixou-se da hora: disse que era muito cedo. Eles podiam ter sa\u00eddo mais tarde e ter ido diretamente para o cabo Espichel. A hora de sa\u00edda no Espichel era apenas \u00e0s 9h da manh\u00e3.<\/p>\n<p>Tinha combinado com a Cl\u00e1udia, em minha casa, \u00e0s 8h da manh\u00e3, mas estava \u00e0 espera que ela chegasse mais cedo, como de costume, para conseguirmos cumprir o hor\u00e1rio. \u00cdamos os dois at\u00e9 Set\u00fabal para eu deixar a minha carrinha  que depois levaria todos os participantes de volta para o Espichel. Mas a Cl\u00e1udia perdeu a cadela, enquanto a passeava de manh\u00e3, e atrasou-se a tentar encontr\u00e1-la pelas ruas de Almada: chegou \u00e0s 8h15m.<\/p>\n<p>O Nuno, saiu de Almada diretamente para o cabo Espichel e deu boleia \u00e0 Catarina, \u00e0 Carlota e \u00e0 amiga delas.<\/p>\n<p>Sa\u00edmos para Set\u00fabal, eu no meu carro e a Cl\u00e1udia no dela, \u00e0s 8h18m. Deixei o meu carro na praia do Albarquel e rumei, com a Cl\u00e1udia para o cabo Espichel. <\/p>\n<p>Ao chegar ao cabo Espichel, junt\u00e1mos todos os participantes e inici\u00e1mos a caminhada \u00e0s 9h40m.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Espichel.jpg\" alt=\"Espichel\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-full wp-image-507\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Espichel.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Espichel-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>Partimos do Igreja da Nossa Senhora do Cabo Espichel e seguimos at\u00e9 ao farol. Depois rum\u00e1mos a leste pelos trilhos de terra batida.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Farol.jpg\" alt=\"Farol\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-full wp-image-508\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Farol.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Farol-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>A cara de felicidade dos participantes era um sinal de que n\u00e3o faziam ideia do que os esperava. Ainda bem.<\/p>\n<p>Continu\u00e1mos para leste e, a certa altura, perdemos o caminho. Tiv\u00e9mos que passar pelo meio do mato, cerca de seiscentos metros. Houve um tro\u00e7o de aproximadamente cinquenta metros no qual alguns dos caminhantes se arranharam nos arbustos. Amaldi\u00e7oaram-me em surdina, de forma a eu ouvir, mas n\u00e3o me falaram diretamente. Devem ter medo de mim. \ud83d\ude42<\/p>\n<p>Volt\u00e1mos a apanhar o caminho e continu\u00e1mos at\u00e9 \u00e0 Serra da Az\u00f3ia, primeira povoa\u00e7\u00e3o ap\u00f3s o Espichel. <\/p>\n<p>Pr\u00f3ximo da Az\u00f3ia, o Pedro comentou que n\u00e3o est\u00e1vamos a cumprir com o ritmo necess\u00e1rio: t\u00ednhamos feito poucos quil\u00f3metros para o tempo que j\u00e1 t\u00ednhamos gasto. Achei curioso, o coment\u00e1rio, quando eram precisamente o Pedro, a S\u00edlvia e a cadela pug deles, que nos estavam a atrasar. Par\u00e1mos muitas vezes \u00e0 espera que chegassem e se juntassem ao grupo, uma vez que eram os mais lentos. N\u00e3o esperei mais por eles.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Azioa-1.jpg\" alt=\"Azioa-1\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-full wp-image-509\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Azioa-1.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Azioa-1-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>A zona da Az\u00f3ia, apesar de parecer deserta, tem uma vida pr\u00f3pria muito ativa. Pastam ovelhas, cultivam cereais, e fazem queijo e p\u00e3o. Durante alguns anos, fiz f\u00e9rias na Aldeia Nova da Az\u00f3ia, na casa de um amigo meu que est\u00e1 hoje emigrado na Sui\u00e7a. Com ele, tomei conhecimento de in\u00fameros recantos na costa sul do cabo Espichel: a Cova da Mijona, a Praia das quinhentas pessoas, a piscina natural, a praia da Baleeira, a praia do Guindaste, etc. <\/p>\n<p>Paredes meias com a casa dele, vivia a padeira da Aldeia e todas as manh\u00e3s t\u00ednhamos p\u00e3o quente dentro de um saco. Foram f\u00e9rias inesquec\u00edveis.<\/p>\n<p>A contrastar com estas atividades mais pr\u00f3ximas da natureza, estavam alguns dos amigos com quem partilh\u00e1vamos a casa e que, logo pela manh\u00e3, bebiam uma caneca de vinho moscatel. \ud83d\ude42<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Azoia-2.jpg\" alt=\"Azoia-2\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-full wp-image-510\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Azoia-2.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Azoia-2-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>Na Serra da Az\u00f3ia havia dois caf\u00e9s que, entretanto, fecharam. O primeiro a fechar foi o do pai de uma das namoradas do meu amigo Paulo. O outro ainda se manteve aberto durante mais uns vinte anos, mas acabou por fechar e \u00e9, agora, uma casa de habita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Seguimos pela Rua da Pedra do Mar, para depois descermos pelo caminho que leva \u00e0 Cova da Mijona. O Pedro e a S\u00edlvia tinham projetado andar apenas oito quil\u00f3metros e depois voltarem para tr\u00e1s. Despedimo-nos deles por telefone e continu\u00e1mos.<\/p>\n<p>No desvio da Rua da Pedra do Mar para a Cova da Mijona, h\u00e1 um cato enorme que fotografei.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cato.jpg\" alt=\"Cato\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-full wp-image-511\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cato.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cato-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>Neste local, o meu filho mais velho apanhou, h\u00e1 uns anos atr\u00e1s, uma perdiz com uma semana de vida, \u00e0 m\u00e3o. Fotograf\u00e1mos o acontecimento e deix\u00e1mos a perdiz seguir a sua vida. J\u00e1 tive uma perdiz em casa, quando era crian\u00e7a: apanh\u00e1mo-al na barragem do Divor e mantiv\u00e9mo-la em casa durante dois anos. Um dia escapou e nunca mais a vimos. \u00c9 uma ave fant\u00e1stica.<\/p>\n<p>A J\u00falia com o perdigoto que o Manuel apanhou, foto de 2009<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Soltas070_08.jpg\" alt=\"Soltas070_08\" width=\"640\" height=\"382\" class=\"alignnone size-full wp-image-512\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Soltas070_08.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Soltas070_08-100x60.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>At\u00e9 \u00e0 Cova da Mijona \u00e9 sempre a descer. Depois tempos que subir cerca de um quil\u00f3metro at\u00e9 \u00e0 pedreira de Santana. Houve queixas, quando viram a subida, mas penso que foi apenas pelo susto, pela surpresa, porque conseguiram todos ultrapasar o obst\u00e1culo sem dificuldade. Naquele momento j\u00e1 s\u00f3 rest\u00e1vamos seis participantes: eu, o Nuno, a Cl\u00e1udia, a Carlota, a Catarina e uma amiga das duas.<\/p>\n<p>Quando cheg\u00e1mos \u00e0 pedreira, ficaram todos extasiados, como se tiv\u00e9ssemos chegado ao fim da prova. Par\u00e1mos para v\u00e1rias sess\u00f5es fotogr\u00e1ficas, e isso deu-nos algum descanso.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Pedreira.jpg\" alt=\"Pedreira\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-full wp-image-514\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Pedreira.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Pedreira-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>Pass\u00e1mos a cerca exterior da pedreira e caminh\u00e1mos pela estrada a sul. Fomos dar a um beco sem sa\u00edda e tiv\u00e9mos que voltar para tr\u00e1s. Seguimos ent\u00e3o pelo caminho mais a norte. Apesar de ser s\u00e1bado, a pedreira estava em funcionamento, embora com atividade reduzida. Pass\u00e1mos sem que nos vissem \u00e0 frente dos escrit\u00f3rios, e continu\u00e1ms apra sul, para Sesimbra. Descemos pela estrada da praia do Cavalo e cheg\u00e1mos ao porto de abrigo. Par\u00e1mos durante uns minutos para nos refrescarmos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/PorotSesimbra.jpg\" alt=\"PorotSesimbra\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-full wp-image-515\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/PorotSesimbra.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/PorotSesimbra-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>As mi\u00fadas mais novas ficaram encantadas com os professores e alunos das escolas de surf, canoagem e vela. Desejaram ficar por ali o resto do dia, mas n\u00e3o podia ser: t\u00ednhamos um objetivo a cumprir.<\/p>\n<p>Pass\u00e1mos o porto de abrigo e continu\u00e1mos ao longo da marginal.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Sesimbra-PortoAbrigo.jpg\" alt=\"Sesimbra-PortoAbrigo\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-full wp-image-521\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Sesimbra-PortoAbrigo.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Sesimbra-PortoAbrigo-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Sesimbra-Marginal.jpg\" alt=\"Sesimbra-Marginal\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-full wp-image-522\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Sesimbra-Marginal.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Sesimbra-Marginal-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>A zona marginal de Sesimbra foi toda remodelada, ou requalificada, como \u00e9 bonito dizer-se agora, e est\u00e1 bastante agrad\u00e1vel. H\u00e1 algumas exce\u00e7\u00f5es, no entanto: a escarpa junto ao porto de abrigo tem um aspeto feio, sujo e perigoso; pelo menos um edif\u00edcio abandonado, mesmo ao meio da marginal, mas que foi embelezado com um grafito.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Sesimbra-grafito.jpg\" alt=\"Sesimbra-grafito\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-full wp-image-525\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Sesimbra-grafito.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Sesimbra-grafito-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>Mesmo a chegar ao centro de Sesimbra, fica o caf\u00e9 onde, um dia&#8230;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Sesimbra-BoteDOuro.jpg\" alt=\"Sesimbra-BoteDOuro\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-full wp-image-523\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Sesimbra-BoteDOuro.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Sesimbra-BoteDOuro-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<blockquote><p>No dia 18 de fevereiro de 1985, segunda-feira de Carnaval, ap\u00f3s termos assistido ao concerto do Leonard Cohen no pavilh\u00e3o do Dram\u00e1tico de Cascais, colados \u00e0 Lena d&#8217;\u00c1gua, que cantava ali ao meu lado e por cima do Cohen, todas as can\u00e7\u00f5es do alinhamento, metemo-nos no Simca do meu pai e fiz\u00e9mos oitenta quil\u00f3metros at\u00e9 Sesimbra. Ao chegar, entrei numa tasca &#8211; o Bote d&#8217;Ouro &#8211; para beber umas misturas para aquecer para o Carnaval. Nisto, meti conversa com dois tipos, desconhecidos, e come\u00e7\u00e1mos a cantar as can\u00e7\u00f5es her\u00f3icas do Fernando Lopes Gra\u00e7a, em voz alta, aos berros, no meio do caf\u00e9. E os tipos cantavam bem. Cantavam mesmo bem. Uns meses mais tarde fui ao Cine Incr\u00edvel, em Almada, ver os S\u00e9tima Legi\u00e3o. E esses dois desconhecidos estavam no palco.<\/p><\/blockquote>\n<p>Continu\u00e1mos, sempre a direito e por caminho plano, at\u00e9 \u00e0 praia da Calif\u00f3rnia. <\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Sesimbra-California.jpg\" alt=\"Sesimbra-California\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-full wp-image-526\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Sesimbra-California.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Sesimbra-California-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>Mas as facilidades terminaram a\u00ed; depois foi necess\u00e1rio subir uma encosta \u00edngreme de mais de tr\u00eas quil\u00f3metros, que come\u00e7am com uma escada em caracol, no interior de um edif\u00edcio, que faz parte do caminho da sa\u00edda nascente de Sesimbra.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"640\" height=\"480\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/O05xiQgLujg\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>A meio caminho, j\u00e1 havia muitas reclama\u00e7\u00f5es, mas j\u00e1 se sentia o fim da subida.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Sesimbra-nascente.jpg\" alt=\"Sesimbra-nascente\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-full wp-image-527\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Sesimbra-nascente.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Sesimbra-nascente-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>Quase no topo da encosta, par\u00e1mos para almo\u00e7ar. As mi+udas j\u00e1 tinham pedido h\u00e1 algum tempo para parar, mas ainda n\u00e3o t\u00ednhamos encontrado uma sombra. Eu andava j\u00e1, h\u00e1 algum tempo \u00e0 procura de um s\u00edtio afastado da estrada e com uma \u00e1rvore grande que fizesse sombra para todos. A Cl\u00e1udia, entretanto, passou-se e come\u00e7ou a subir sem dar ares de querer parar. Consegui faz\u00ea-la &#8220;voltar \u00e0 Terra&#8221;, e juntar-se ao esp\u00edrito do grupo que rapidamente passou de um esfor\u00e7o intenso, a uma calma comensal.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Almoco.jpg\" alt=\"Almoco\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-full wp-image-528\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Almoco.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Almoco-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>Descal\u00e7\u00e1mo-nos e assent\u00e1mos as plantas dos p\u00e9s nas ervas verdes rasteiras. Da\u00ed a pouco, j\u00e1 nenhum de n\u00f3s se lembrava de que t\u00ednhamos andado quatro horas, sem parar, debaixo de um sol escaldante e desgastador.<\/p>\n<p>Depois do almo\u00e7o, volt\u00e1mos \u00e0 estrada e vir\u00e1mos no primeiro desvio de terra \u00e0 direita. Eu tinha memorizado, por alto, os quarenta quil\u00f3metros do percurso, mas n\u00e3o tinha a certeza absoluta do caminho a seguir. Sabia que havia ali um desvio que passava junto \u00e0s pedreiras leste de Sesimbra e que dava acesso a Casais da Serra. Al\u00e9m disso, o tablet teimava em n\u00e3o receber os mapas via Internet. Vir\u00e1mos naquele desvio, depois da Cl\u00e1udia me obrigar a garantir, com certeza absoluta &#8211; que \u00e9 coisa que nunca tive, certezas &#8211; de que o caminho era aquele. Mas n\u00e3o era ali: era oitocentos metros mais acima.<\/p>\n<p>Caminh\u00e1mos tr\u00eas quil\u00f3metros at\u00e9 percebermos que est\u00e1vamos a descar para o mar e que o caminho n\u00e3o tinha continua\u00e7\u00e3o. Tiv\u00e9mos que passar por uma ribanceira, uma encosta muito inclinada, que era um problema para a Cl\u00e1udia, que sofre de vertigens. Antes da caminhada, tive que prometer-lhe solenemente que n\u00e3o ir\u00edamos caminhar por precip\u00edcios. Aquilo n\u00e3o era exatamente um precip\u00edcio, mas ausava-lhe vertigens. Ouvi, l\u00e1 atr\u00e1s mais um coment\u00e1rio, pelas costas: &#8220;Este gajo est\u00e1 a gozar comigo&#8221;, mas desceu sem ajuda. Na volta, quando tiv\u00e9mos que retornar, j\u00e1 precisou de ajuda: fechou os olhos e eu levei-a pelo bra\u00e7o.<\/p>\n<p>Entretanto, enquanto discut\u00edamos quem continuava e quem ficava, apareceu uma mi\u00fada estrangeira, com uma mochila \u00e0s costas, que vinha da praia at\u00e9 onde n\u00e3o t\u00ednhamos chegado a descer. Confirmou-nos o que j\u00e1 t\u00ednhamos conclu\u00eddo: aquele caminho n\u00e3o tinha sa\u00edda.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Sesimbra-serra-1.jpg\" alt=\"Sesimbra-serra-1\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-full wp-image-530\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Sesimbra-serra-1.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Sesimbra-serra-1-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>Voltar atr\u00e1s foi muito doloroso para todos eles. Decidiram n\u00e3o continuar. A Carlota ligou ao pai, que estava a descansar, para os ir buscar a Santana. Eu continuei.<\/p>\n<p>Despedi-me e voltei pelo caminho por onde t\u00ednhamos vindo. Quando pude, subi a serra, para chegar ao topo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Sesimbra-serra-2.jpg\" alt=\"Sesimbra-serra-2\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-full wp-image-531\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Sesimbra-serra-2.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Sesimbra-serra-2-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>Continuei pelo trilho que passa no bordo da serra, at\u00e9 encontrar um marco de aspeto estranho. N\u00e3o \u00e9 uma marco geod\u00e9sico comum. \u00c9 quase um cilindro, arredondado na base superior e terminado num bico. At\u00e9 l\u00e1 caminhei sempre para oeste, mas depois tiver que seguir duzentos metros para norte.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Risco-1.jpg\" alt=\"Risco-1\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-full wp-image-533\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Risco-1.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Risco-1-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>Virei outra vez para oeste e fiquei com as serras do Risco e da Arr\u00e1bida, de frente.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Risco-2.jpg\" alt=\"Risco-2\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-full wp-image-534\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Risco-2.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Risco-2-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>A Serra do Risco sempre foi uma quimera para mim. Via-a de longe, em forma de onda a rebentar no topo da montanha&#8230; e nunca imaginei que fosse poss\u00edvel subi-la at\u00e9 ao topo. Mas houve uns &#8220;malucos&#8221; que abriram caminho at\u00e9 l\u00e1 e, devido a erros de rumo, acabei por ir parar l\u00e1 acima. Agrade\u00e7o a quem?<\/p>\n<p>No topo da serra do Risco<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Risco-3.jpg\" alt=\"Risco-3\" width=\"600\" height=\"800\" class=\"alignnone size-full wp-image-535\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Risco-3.jpg 600w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Risco-3-390x520.jpg 390w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Risco-3-75x100.jpg 75w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Risco-4.jpg\" alt=\"Risco-4\" width=\"600\" height=\"800\" class=\"alignnone size-full wp-image-536\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Risco-4.jpg 600w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Risco-4-390x520.jpg 390w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Risco-4-75x100.jpg 75w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>Encontrei um casal l\u00e1 no topo: ele, talvez da minha idade; ela, mais nova. Perguntei-lhe se sabia se havia caminho para baixo, para leste. Ele perguntou-me o mesmo, quase em simult\u00e2neo. Conclu\u00edmos que t\u00ednhamos vindo do mesmo sitio, de oeste. Tinham deixado o carro na base da serra e estavam a acabar de chegar ao cume. Com um nervosismo disfar\u00e7ado, ele perguntou-me: &#8220;Achas que conseguimos chegar l\u00e1 abaixo antes do p\u00f4r do sol?&#8221;<\/p>\n<p>Continuei. Ao chegar ao marco geod\u00e9sico, deparei com dois caminhos: um prosseguia para leste, o outro para norte. O caminho para norte pareceu-me mais favor\u00e1vel, nomeadamente porque come\u00e7ava logo a descer. Segui para norte, mas foi um erro. A certa altura deixou de haver caminho e fiquei envolto em mato com silvas e uvas de c\u00e3o: ambas prendem a roupa e arranham. Em pouco tempo tinha as m\u00e3os todas a sangrar e a roupa toda rasgada. N\u00e3o conseguia sair dali e o sol estava a aproximar-se da horizontal.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Casaco.jpg\" alt=\"Casaco\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-full wp-image-540\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Casaco.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Casaco-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>A Teresa ligou-me a perguntar onde \u00e9 que eu estava. Combin\u00e1mos que eu iria tentar carregar o percurso at\u00e9 ao momento atual, para o site do Highway Star, mas n\u00e3o conseguia obter rede de dados. Pus-me em bicos de p\u00e9s, com o telefone na m\u00e3o e o bra\u00e7o esticado para o c\u00e9u, e l\u00e1 consegui enviar o percurso. O meu objetivo \u00e9 que a Teresa visse onde eu estava, no mapa de sat\u00e9lite, e me desse indica\u00e7\u00f5es do caminho para a clareira mais pr\u00f3xima. Mas antes dela me contactar outra vez, j\u00e1 eu tinha conseguido sair daquele novelo.<\/p>\n<p>Foi a terceira vez que me aconteceu ficar preso no mato daquela regi\u00e3o. Das outras duas vezes anteriores, foi na Arr\u00e1bida e, de uma dessas vezes, demorei tr\u00eas horas a encontrar uma sa\u00edda, debaixo de um calor intenso, com as gotas de suor a queimarem-me os olhos. Espero n\u00e3o voltar a fazer uma asneira como esta.<\/p>\n<p>Precisava de chegar \u00e0 estrada N379-1 para ir para o Portinho da Arr\u00e1bida e, depois, para Set\u00fabal. Pelo meio, havia uma terra vedada, com gado bovino \u00e0 solta, que eu tive que atravessar. Primeiro tentei contorn\u00e1-la, mas no limite deparei com um bosque e j\u00e1 tinha tido a minha conta de silvas e uvas de c\u00e3o. Saltei o arame farpado, passei as terras e o gado, e voltei a passar a cerca, para a panhar a estrada de terra do outro lado.<\/p>\n<p>O casaco estava todo rasgado e cheio de sangue. O ar estava frio, n\u00e3o o podia tirar: virei-o do avesso. Passei pelo prado verde que se v\u00ea \u00e0 direita, quem vem de Casais da Serra para o Portinho da Arr\u00e1bida, e ao qual, em minha casa, chamamos Vale Encantado. J\u00e1 agora, se leventarem um pouco os olhos, logo acima do Vale Encantado, est\u00e1 a serra do Risco: uma serra em forma de onda a rebentar.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/ValeEncantado.jpg\" alt=\"ValeEncantado\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-full wp-image-543\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/ValeEncantado.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/ValeEncantado-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>O Vale Encantado \u00e9 bonito, visto de longe. Um dia, h\u00e1 v\u00e1rios anos, decidimos ir v\u00ea-lo de perto: foi uma desilus\u00e3o. L\u00e1 em baixo, junto ao vale, o ch\u00e3o \u00e9 um aglomrado de torr\u00f5es de terra que, quando chove, se transformam num lama\u00e7al, ou at\u00e9 num p\u00e2ntano. Foi o que confirmei desta vez: a \u00e1gua escorria de diversas fontes para o vale, que se transformara num lama\u00e7al imposs\u00edvel de transpor. Tive que o contornar.<\/p>\n<p>Encontrei um fot\u00f3grafo a capturar imagens de flores e, apesar do meu tempo ser escasso, decidi fazer o mesmo, com o meu telefone, que tira fotografias de qualidade baixa.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Ranunculo.jpg\" alt=\"Ranunculo\" width=\"640\" height=\"853\" class=\"alignnone size-full wp-image-541\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Ranunculo.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Ranunculo-390x520.jpg 390w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Ranunculo-75x100.jpg 75w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>Cheguei \u00e0 estrada nacional 379-1 e caminhhei quatro quil\u00f3metros at\u00e9 chegar ao Portinho da Arr\u00e1bida. J\u00e1 perto, tirei um autorretrato, com Tr\u00f3ia ao fundo. Tr\u00f3ia iria ser o in\u00edcio da pr\u00f3xima etapa do projeto &#8220;Percorrer Portugal a p\u00e9&#8221;.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/TroiaAoFundo.jpg\" alt=\"TroiaAoFundo\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-full wp-image-544\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/TroiaAoFundo.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/TroiaAoFundo-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>Depois do desafio que foi subir a encosta da Calif\u00f3rnia, em Sesimbra, t\u00ednhamos discutido se ir\u00edamos descer at\u00e9 ao Portinho, para depois termos que subir novamente at\u00e9 \u00e0 estrada, pelo parque de estacionamento da praia do Creiro. Ningu\u00e9m escolheu esta op\u00e7\u00e3o. Todos queriam ir pela estrada que passa por cima do Portinho da Arr\u00e1bida, para evitar mais declives, principalmente grandes subidas.<\/p>\n<p>Como ningu\u00e9m estava presente, desci mesmo at\u00e9 ao Portinho. Parei no primeiro bar e bebi uma cerveja, para comemorar a chegada.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Portinho-1.jpg\" alt=\"Portinho-1\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-full wp-image-545\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Portinho-1.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Portinho-1-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>O bar ficava na descida para a povoa\u00e7\u00e3o. A placa indicadora do in\u00edcio do povoado, ficava umas dezenas de metros mais abaixo. Quando a fotografei, j\u00e1 n\u00e3o havia sol.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Portinho-2.jpg\" alt=\"Portinho-2\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-full wp-image-546\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Portinho-2.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Portinho-2-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>Caminhei, j\u00e1 de noite, at\u00e9 \u00e0 praia do Creiro e subi para a estrada, pelo acesso ao parque de estacionamento. Os reataurantes da praia estavam a funcionar e, num deles, estava um grupo, com umas doze pessoas, bastante animado, a jantar.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil caminhar sozinho, ainda por cima de noite. Eram 19h25m, j\u00e1 n\u00e3o havia luz do sol. O c\u00e9u estava totalmente escuro e n\u00e3o havia ilumina\u00e7\u00e3o na estrada.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"640\" height=\"480\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/9MvI_36CIFM\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Caminhar \u00e0 noite, com carros a passar, sem roupa refletora, \u00e9 perigoso e, ao mesmo, tempo assustador.<\/p>\n<p>Passei a praia de Gal\u00e1pos, e cheguei \u00e0 Figueirinha onde comi a \u00faltima bola de arroz e a \u00faltima ma\u00e7\u00e3.<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Galapos.jpg\" alt=\"Galapos\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-full wp-image-547\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Galapos.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Galapos-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Figueirinha.jpg\" alt=\"Figueirinha\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-full wp-image-548\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Figueirinha.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Figueirinha-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>Sentei-me \u00e0 beira da estrada, em cima do murete do parque de estacionamento, descalcei-me e jantei. Do\u00edam-me os p\u00e9s. Mais tarde acabei por perceber que aquelas botas n\u00e3o eram indicadas para grandes caminhadas. A bota direita causou-me uma les\u00e3o na articula\u00e7\u00e3o do p\u00e9. O p\u00e9, ao bater na zona onde os atacadores terminam, desenvolveu um incha\u00e7o entre o tarso e o metatarso, que demorou mais de uma semana a passar. Ainda fui com essa dor, embora residual, para o in\u00edcio da caminhada de Tr\u00f3ia, mas as novas botas, mais adequadas para caminhadas, que comprei, n\u00e3o pressionavam essa zona do p\u00e9, pelo que fiquei sem dores no fim do primeiro dia.<\/p>\n<p>Voltei \u00e0 estrada e, quinze minutos depois, cheguei ao Out\u00e3o.<\/p>\n<p>F\u00e1brica do Out\u00e3o<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"640\" height=\"480\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/tNgYEOIl8tQ\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Demorei mais de uma hora a chegar a Set\u00fabal. Passei por v\u00e1rios restaurantes de choco rito, que estavam apinhados de gente.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Setubal.jpg\" alt=\"Setubal\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-full wp-image-549\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Setubal.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Setubal-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>Foi duro, mas o facto de ter conseguido chegar ao fim, foi reconfortante.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caminhada Cabo Espichel &#8211; Set\u00fabal, a 12 de mar\u00e7o de 2016 Lancei o repto e apareceram v\u00e1rios participantes, talvez motivados pela divulga\u00e7\u00e3o das fotografias da caminhada da semana anterior. Pedro Belo, S\u00edlvia Rodrigues e a sua cadela Suki, de ra\u00e7a pug Cl\u00e1udia Rodrigues e a sua cadela Goma Nuno Louren\u00e7o Carlota Mendon\u00e7a, Cristina Mendon\u00e7a e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/288"}],"collection":[{"href":"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=288"}],"version-history":[{"count":22,"href":"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/288\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":550,"href":"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/288\/revisions\/550"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=288"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=288"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=288"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}