{"id":310,"date":"2016-03-26T13:12:22","date_gmt":"2016-03-26T13:12:22","guid":{"rendered":"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/?p=310"},"modified":"2016-07-14T17:37:14","modified_gmt":"2016-07-14T16:37:14","slug":"troia-sagres-cap-iii","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/?p=310","title":{"rendered":"Tr\u00f3ia \u2013 Sagres \u2013 Cap. II"},"content":{"rendered":"<p>O segundo tro\u00e7o do percurso foi do Carvalhal at\u00e9 Melides.<\/p>\n<p>A imagem seguinte cont\u00e9m o percurso registado pela aplica\u00e7\u00e3o <a href=\"http:\/\/highwaystar.org\/\">Highway Star<\/a> que desenvolvi para o sistema operativo Android.<\/p>\n<p>O ficheiro KML do percurso est\u00e1 aqui: <a href=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/dados\/riaformosa\/Troia-Sagres-cap2.kml\">Troia-Sagres-cap2.kml<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Troia-Sagres-mapa-Cap3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Troia-Sagres-mapa-Cap3-640x295.jpg\" alt=\"Troia-Sagres-mapa-Cap3\" width=\"640\" height=\"295\" class=\"alignnone size-medium wp-image-311\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Troia-Sagres-mapa-Cap3-640x295.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Troia-Sagres-mapa-Cap3-1024x472.jpg 1024w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Troia-Sagres-mapa-Cap3-100x46.jpg 100w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Troia-Sagres-mapa-Cap3.jpg 1805w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><\/p>\n<p>In\u00edcio: 23-03-2016, 13:48<br \/>\nVelocidade m\u00e9dia: 3.948 km\/h<br \/>\nTempo: 05h 11m 38.295s<br \/>\nEspa\u00e7o: 20.507 km<\/p>\n<p>Durante o percurso at\u00e9 ao Carvalhal, devo ter comido duas pe\u00e7as de fruta &#8211; uma tangerina e uma ma\u00e7\u00e3 reineta &#8211; e bebido meio litro de caf\u00e9 frio que levei de casa. \u00c0 chegada ao Carvalhal, n\u00e3o estava a &#8220;morrer de fome&#8221;, mas era uma hora da tarde, e era a hora certa para fazer uma refei\u00e7\u00e3o mais forte.<\/p>\n<p>Entr\u00e1mos no Carvalhal por noroeste, vindos dos campos de arroz, do lado dos Brejos da Carregueira de Baixo. Procur\u00e1mos um s\u00edtio para almo\u00e7ar enquanto percorr\u00edamos o povoado para sueste a caminho da estrada nacional n\u00famero 261. Mesmo \u00e0 sa\u00edda, depar\u00e1mos com um parque de merendas, onde os trabalhadores locais v\u00e3o almo\u00e7ar. <\/p>\n<p>Quando cheg\u00e1mos, estava vazio. Pousei a mochila, descalcei as botas, tirei o casaco e o chap\u00e9u, que estavam encharcados de suor, e sentei-me a descansar. As unhas dos dedos grandes dos p\u00e9s continuavam a doer-me. Fui descal\u00e7o lavar as m\u00e3os \u00e0 bica de \u00e1gua que ficava no centro do parque e voltei. Tirei tudo de dentro da mochila e pus o telefone e o tablet a carregar. Abri as caixas onde levava as <a href=\"http:\/\/skdesu.com\/onigiri-bolinho-de-arroz-japones-%E3%81%8A%E6%8F%A1%E3%82%8A\/\">bolas de arroz<\/a> &#8211; o meu alimento preferido para viagens e caminhadas &#8211; para arejarem e libertarem a humidade que se tinha formado.<\/p>\n<p>Comecei a ouvir o miar de uma gata, vindo do outro lado da estrada, e a aproximar-se rapidamente de n\u00f3s. A gata miava incessantemente, certamente a pedir comida. Duvido que gostasse daquilo que eu tinha trazido; nem valia a pena desperdi\u00e7ar comida com ela. Al\u00e9m disso estava bastante gorda; aquele chamamento pareceu-me ser mais gulodice do que fome.<\/p>\n<p>Entretanto, chegaram dois indiv\u00edduos numa carrinha de distribui\u00e7\u00e3o de produtos alimentares. Cumprimentaram-nos e sentaram-se na outra extremidade do parque a almo\u00e7ar. Mais tarde, chegaram mais seis trabalhadores que aparentavam, pelas vestes, ter vindo de uma obra, e pela atitude pareciam ser trabalhadores camar\u00e1rios.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap3-Carvalhal.jpg\" alt=\"Cap3-Carvalhal\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-full wp-image-376\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap3-Carvalhal.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap3-Carvalhal-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>Comi duas bolas de arroz, grelos cozidos e pur\u00e9 de <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Pastinaca_sativa\">pastinaca<\/a>. A sobremesa foi uma ma\u00e7\u00e3 e, no fim, bebi caf\u00e9 novamente.<\/p>\n<p>O caf\u00e9 \u00e9 tamb\u00e9m a minha bebida preferida para as caminhadas. Ponho seis colheres de sopa de caf\u00e9 mo\u00eddo num litro de \u00e1gua a ferver e deixo cozer durante cinco a dez minutos. Deixo assentar as borras de caf\u00e9 e decanto.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0s bolas de arroz, a receita \u00e9 a seguinte. Cozo uma ch\u00e1vena e meia de arroz carolino integral biol\u00f3gico, com o dobro de \u00e1gua e uma pitada de sal, durante cinquenta minutos na panela de press\u00e3o. Depois de esfriar, fa\u00e7o bolas entre as m\u00e3os, que molho previamente com \u00e1gua para o arroz n\u00e3o agarrar. As bolas devem ficar bem apertadas. De seguida, abro um buraco no meio da bola e coloco um pouco &#8211; uma colher de ch\u00e1 &#8211; de <a href=\"https:\/\/macroexotic.com\/2013\/04\/08\/ameixa-umeboshi-um-antibiotico-natural\/\">ameixa salgada japonesa<\/a> &#8211; que \u00e9 um picle \u00e1cido e salgado &#8211; para conservar e dar um sabor contrastante ao arroz. Fecho o buraco e aperto mais um pouco. Embrulho a bola em <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Nori\">alga nori<\/a> &#8211; a alga do sushi &#8211; de forma a isolar o arroz completamente do exterior. Com a quantidade de arroz mencionada acima, fa\u00e7o oito bolas. Normalmente, como duas bolas ao almo\u00e7o, duas bolas ao jantar e uma bola ao pequeno almo\u00e7o.<\/p>\n<p>Depois do almo\u00e7o, tentei cortar as unhas, mas s\u00f3 tinha um canivete que me foi oferecido pela Teresa: um canivete sui\u00e7o, sem tesoura, mas com l\u00e2minas muito afiadas. Cortei as unhas \u00e0 faca. N\u00e3o consegui cortar muito rente, mas ainda consegui tirar cerca de tr\u00eas mil\u00edmetros \u00e0s unhas dos dedos grandes que me estavam a causar o maior inc\u00f3modo.<\/p>\n<p>A gata tinha conseguido comida junto dos distribuidores de alimentos e estava agora a comer peda\u00e7os de carne que os trabalhadores camar\u00e1rios lhe davam. <\/p>\n<p>A sombra dos pinheiros e o vento fresco rapidamente esfriaram o meu tronco, uma vez que s\u00f3 tinha uma t-shirt vestida e, al\u00e9m disso, suada. Mas o esfor\u00e7o da caminhada tinha sido t\u00e3o grande que o frio parecia n\u00e3o me afetar.<\/p>\n<p>Um dos comensais do segundo grupo veio colocar espinhas de bacalhau junto \u00e0 cerca do parque e chamou a gata que logo surgiu para acabar de chupar as espinhas.<\/p>\n<p>Estava na hora de voltarmos \u00e0 estrada. Vestimo-nos, pus\u00e9mos as mochilas \u00e0s costas, cumpriment\u00e1mos os trabalhadores e sa\u00edmos do parque.<\/p>\n<p>No cruzamento da Avenida 18 de Dezembro com a EN261, havia um vendedor de velharias. O s\u00edtio parece abandonado, mas ainda h\u00e1 algumas pe\u00e7as espalhadas pelo local.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap3-Carvalhal-2.jpg\" alt=\"Cap3-Carvalhal-2\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-full wp-image-378\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap3-Carvalhal-2.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap3-Carvalhal-2-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap3-Carvalhal-3.jpg\" alt=\"Cap3-Carvalhal-3\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-full wp-image-379\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap3-Carvalhal-3.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap3-Carvalhal-3-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap3-Carvalhal-4.jpg\" alt=\"Cap3-Carvalhal-4\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-full wp-image-380\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap3-Carvalhal-4.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap3-Carvalhal-4-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>Prosseguimos pela estrada, para sul.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap3-Estrada.jpg\" alt=\"Cap3-Estrada\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-full wp-image-381\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap3-Estrada.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap3-Estrada-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>As estradas s\u00e3o locais \u00e1ridos. \u00c1ridos de vida, \u00e1ridos de viv\u00eancias, \u00e1ridos de interesse. Quanto mais congestionadas, mais se aproximam de um <a href=\"https:\/\/fr.wikipedia.org\/wiki\/Non-lieu_(anthropologie)\">n\u00e3o-lugar<\/a> de Marc Aug\u00e9. E eu sempre evitei os n\u00e3o-lugares, antes e depois de Marc Aug\u00e9. Um n\u00e3o-lugar \u00e9 um lugar onde a geografia \u00e9 irrelevante, \u00e9 um lugar id\u00eantico na China, no Zimbabu\u00e9 ou na Su\u00e9cia. N\u00e3o se aprende nada num n\u00e3o-lugar: quem experiencia um, experiencia todos. Uma estrada \u00e9 um n\u00e3o-lugar. \u00c9 um lugar onde passam autom\u00f3veis, depressa demais, passam e n\u00e3o param. N\u00e3o se aprende nada numa estrada: n\u00e3o traz viv\u00eancias novas; n\u00e3o h\u00e1 aprendizagens diferentes em estradas diferentes.<\/p>\n<p>Caminh\u00e1mos, sem novidades at\u00e9 Pinheiro da Cruz.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap3-PinheiroDaCruz.jpg\" alt=\"Cap3-PinheiroDaCruz\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-full wp-image-382\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap3-PinheiroDaCruz.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap3-PinheiroDaCruz-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>Pinheiro da Cruz tem uma pris\u00e3o em regime mais ou menos aberto. Os prisioneiros t\u00eam atividades ao ar livre, nomeadamente cultivam uvas e fazem vinho. Pass\u00e1mos a povoa\u00e7\u00e3o e continu\u00e1mos pa\u00eds abaixo.<\/p>\n<p>Demos por n\u00f3s \u00e0 procura de formas de encher o vazio da estrada. Cont\u00e1mos o n\u00famero de pilares de pl\u00e1stico abalroados pelaos carros. A estrada est\u00e1 ladeada de pilares de pl\u00e1stico com um metro de altura e com refletores, para guiar os condutores durante a noite, para permitir que vejam melhor, ao longe e com anteced\u00eancia, o tra\u00e7ado do alcatr\u00e3o. Mas muitos condutores perdem, momentaneamente, o controlo do autom\u00f3vel e saem da estrada durante umas dezenas de metros, esbarrando numa s\u00e9rie e pilares. Alguns pilares estavam a mais de vinte metros de dist\u00e2ncia da estrada, tamanho foi o embate que sofreram.<\/p>\n<p>Entretiv\u00e9mo-nos tamb\u00e9m a compilar uma lista de objetos lan\u00e7ados do interior dos autom\u00f3veis para as bermas, e havia de tudo: garrafas de vidro, garrafas de pl\u00e1stico, recipientes de iogurte, fraldas de beb\u00e9, pacotes de leite, pacotes de sumo, latas de cerveja, sacos de pl\u00e1stico. Para al\u00e9m disso, menos frequentemente, mas ainda assim com alguma regularidade, apareciam partes de autom\u00f3veis, resultado de embates e acidentes: parachoques, far\u00f3is e pneus.<\/p>\n<p>Entr\u00e1mos na Freguesia de Melides, pass\u00e1mos junto ao desvio para a praia da Raposa e nada de excitante parecia acontecer&#8230;<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap3-Melides-1.jpg\" alt=\"Cap3-Melides-1\" width=\"640\" height=\"550\" class=\"alignnone size-full wp-image-386\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap3-Melides-1.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap3-Melides-1-605x520.jpg 605w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap3-Melides-1-100x86.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap3-Raposa.jpg\" alt=\"Cap3-Raposa\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-full wp-image-387\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap3-Raposa.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap3-Raposa-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap3-Melides-2.jpg\" alt=\"Cap3-Melides-2\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-full wp-image-388\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap3-Melides-2.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap3-Melides-2-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>Eis sen\u00e3o quando come\u00e7amos a vislumbrar uma perturba\u00e7\u00e3o na regularidade do horizonte. Ao fundo da estrada, perto do ponto onde as linhas paralelas se encontram, saltaram dois sem\u00e1foros luminosos e brilantes: um amarelo e outro vermelho.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que nos aproxim\u00e1vamos, os sem\u00e1foros foram ganhando forma: o vermelho era um tri\u00e2ngulo de sinaliza\u00e7\u00e3o autom\u00f3vel; e o amarelo, um colete por cima do corpo de uma mi\u00fada nova e gordinha que esperava, receosa, perto do autom\u00f3vel, por um reboque, mas tamb\u00e9m pedia a Deus que estes dois gandulos, que se aproximavam a passadas largas, n\u00e3o se metessem com ela, n\u00e3o lhe fizessem mal. Duas preces: tee sorte na \u00faltima, mas n\u00e3o teve sorte na primeira.<\/p>\n<p>Passei, mas voltei atr\u00e1s. &#8220;\u00c9 o escape?&#8221;, perguntei. &#8220;N\u00e3o sei, n\u00e3o percebo nada de carros&#8221;, respondeu a tremer, no meio daquele Alentejo deserto e prop\u00edcio ao desastre.<\/p>\n<p>O tubo de escape estava ca\u00eddo e a mi\u00fada deve ter ouvido o barulho da lata a ro\u00e7ar pelo ch\u00e3o e, por isso, parou o carro: n\u00e3o fosse aquilo desmanchar-se tudo ali no meio do nada.<\/p>\n<p>A mi\u00fada tinha um ar de fazer pena ao mais cruel dos criminosos, quanto mais a n\u00f3s pobres caminhantes \u00e0 procura de algo &#8211; qualquer coisa que fosse &#8211; dentro de n\u00f3s.<\/p>\n<p>Pousei a mochila, espreitei para debaixo do carro e vi que o tubo de escape, que vinha da sa\u00edda do motor, se tinha soltado da panela. Dessoldou-se, ou nunca tinha estado soldado. N\u00e3o lhe perguntei quem lhe tinha vendido aquele carro, n\u00e3o valia a pena, mas tinham-na enganado.<\/p>\n<p>O Pedro deu-me umas bra\u00e7adeiras de pl\u00e1stico e prendi o tubo ao chassis. O tubo n\u00e3o iria aquecer o suficiente para derreter as bra\u00e7adeiras no percurso que faltava at\u00e9 Melides e que era de apenas quatro quil\u00f3metros.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap3-Carro-1.jpg\" alt=\"Cap3-Carro-1\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-full wp-image-391\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap3-Carro-1.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap3-Carro-1-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>N\u00e3o lhe perguntei o nome, mas sei que \u00e9 enfermeira h\u00e1 duas semanas na pris\u00e3o de Pinheiro da Cruz. Deve ter acabado o curso este ano, concorreu e entrou, sem cunhas. Vivia em Viana do Castelo, fal\u00e1mos das festas de Santa Luzia, tir\u00e1mos uma foto juntos, e diss\u00e9mos-lhe que, se entretanto passasse por n\u00f3s mais \u00e0 frente, n\u00e3o quer\u00edamos boleia, pois est\u00e1vamos a caminho do Algarve e o percurso tinha que ser feito todo a p\u00e9.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap3-Carro.jpg\" alt=\"Cap3-Carro\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-full wp-image-389\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap3-Carro.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap3-Carro-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>N\u00e3o gostava de fotografias, a mi\u00fada, e nisso acho que abusei. Mas de que outra forma \u00e9 que podemos quebrar a monotonia de horas passadas na estrada ao som das passadas sempre iguais no ouvido, mas cada vez mais dolorosas no corpo. N\u00e3o ia certamente espetar um prego na m\u00e3o como fez o Roy Batty no Blade Runner, para conseguir reavivar a vida que lhe fugia.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/RoyBatty-nail.jpg\" alt=\"RoyBatty-nail\" width=\"640\" height=\"271\" class=\"alignnone size-full wp-image-390\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/RoyBatty-nail.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/RoyBatty-nail-100x42.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>N\u00e3o. A foto deu-me \u00e2nimo para continuar. Agradecemos \u00e0 mi\u00fada por nos ter ajudado a descansar um pouco na nossa viagem que, a cada passo, se tornava mais pesada e dif\u00edcil. Despedimo-nos e partimos.<\/p>\n<p>A mi\u00fada j\u00e1 estava \u00e0 espera h\u00e1 duas horas pelo reboque, que vinha de Gr\u00e2ndola; disse-nos que n\u00e3o esperaria mais de quinze minutos, para al\u00e9m daquele momento. Mas esperou. Vimo-la passar cerca de quarenta e cinco minutos depois, dentro do reboque, quando est\u00e1vamos quase a chegar \u00e0 povoa\u00e7\u00e3o de Melides.<\/p>\n<p>Pouca coisa mais se passou pelo caminho: um local a anunciar que tinha espargos e cogumenlos proibidos, a estrada para a praia da Abeta Nova, onde desagua a ribeira das Fontainhas, e onde almocei, em 1984, no segundo dia da primeira grande caminhada que fiz de Tr\u00f3ia at\u00e9 \u00e0 lagoa de Santo Andr\u00e9, a p\u00e9, descal\u00e7o, pela praia: foi um almo\u00e7o id\u00edlico, junto a um po\u00e7o e a uma ruina, \u00e0 sombra das \u00e1rvores e ao som das r\u00e3s a coaxar entoadas com o vento nas folhas. Enfim, pouca coisa.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap3-AbertaNova-1.jpg\" alt=\"Cap3-AbertaNova-1\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-full wp-image-393\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap3-AbertaNova-1.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap3-AbertaNova-1-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap3-AbertaNova-2.jpg\" alt=\"Cap3-AbertaNova-2\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-full wp-image-394\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap3-AbertaNova-2.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap3-AbertaNova-2-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>Logo depois, o restaurante Tia Rosa, onde, h\u00e1 uns anos atr\u00e1s, parei depois de um desatino em casa; um desatino que me fez andar cem quil\u00f3metros sem parar para comer um arroz de pato famoso e beber uma garrafa de meio litro de um monocasta Touriga Nacional do Espor\u00e3o, de 1995. J\u00e1 l\u00e1 v\u00e3o uns anos, mas a marca ficou. E aquele arroz de pato n\u00e3o \u00e9 o meu estilo: n\u00e3o tem contraste; n\u00e3o se cozinha o arroz com a gordura do pato e muito menos se juntam os mi\u00fados e o sangue ao arroz. Num curso de culin\u00e1ria, n\u00e3o passava nos testes preliminares&#8230; Mas enfim, h\u00e1 gostos para tudo. Depois fui cozer a bebedeira para a praia da Raposa. \u00c0 meia noite estava nas palafitas da Carrasqueira a olhar para as estrelas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap3-TiaRosa.jpg\" alt=\"Cap3-TiaRosa\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-full wp-image-395\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap3-TiaRosa.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap3-TiaRosa-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>Quase a chegar a Melides, ainda pass\u00e1mos numa povoa\u00e7\u00e3o onde eu n\u00e3o gostaria de morar. E o motivo \u00e9 o nome da povoa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 mais nenhum. Os caveirenses s\u00e3o certamente boas pessoas como o s\u00e3o todos os habitantes das redondezas, mas Caveira \u00e9 um nome pouco convidativo, tremebundo, afastador.<\/p>\n<p>As vinhas da Caveira, by John Steinbeck<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap3-Caveira-1.jpg\" alt=\"Cap3-Caveira-1\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-full wp-image-396\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap3-Caveira-1.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap3-Caveira-1-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap3-Caveira-2.jpg\" alt=\"Cap3-Caveira-2\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-full wp-image-397\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap3-Caveira-2.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap3-Caveira-2-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>O meu amigo Raul, tinha combinado fazer uma parte do percurso connosco. Telefonei-lhe a combinar um almo\u00e7o, no dia seguinte, em Sines. Combin\u00e1mos, tamb\u00e9m, que ele passaria antes em minha casa para trazer a carteira do Pedro, e um cinto para as minhas cal\u00e7as que me ca\u00edam e que eu atara com uma fita de nylon encontrada no caminho, assim como uma tesoura para eu cortar as unhas mais rentes.<\/p>\n<p>E cheg\u00e1mos, por fim, a Melides, onde dormimos no primeiro recanto que encontr\u00e1mos, junto \u00e0 estrada, mas resguardado dos olhares de quem passasse. N\u00e3o tiv\u00e9mos muito tempo para escolher, pois o Pedro j\u00e1 n\u00e3o conseguia andar e a estrada \u00e0 sa\u00edda de Melides parecia perigosa para prosseguirmos o caminho pela noite.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap3-Melides-3.jpg\" alt=\"Cap3-Melides-3\" width=\"600\" height=\"800\" class=\"alignnone size-full wp-image-398\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap3-Melides-3.jpg 600w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap3-Melides-3-390x520.jpg 390w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap3-Melides-3-75x100.jpg 75w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap3-Melides-4.jpg\" alt=\"Cap3-Melides-4\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-full wp-image-399\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap3-Melides-4.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap3-Melides-4-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap3-Melides-5.jpg\" alt=\"Cap3-Melides-5\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-full wp-image-400\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap3-Melides-5.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap3-Melides-5-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O segundo tro\u00e7o do percurso foi do Carvalhal at\u00e9 Melides. A imagem seguinte cont\u00e9m o percurso registado pela aplica\u00e7\u00e3o Highway Star que desenvolvi para o sistema operativo Android. O ficheiro KML do percurso est\u00e1 aqui: Troia-Sagres-cap2.kml In\u00edcio: 23-03-2016, 13:48 Velocidade m\u00e9dia: 3.948 km\/h Tempo: 05h 11m 38.295s Espa\u00e7o: 20.507 km Durante o percurso at\u00e9 ao [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/310"}],"collection":[{"href":"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=310"}],"version-history":[{"count":18,"href":"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/310\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":843,"href":"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/310\/revisions\/843"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=310"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=310"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=310"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}