{"id":313,"date":"2016-03-26T13:20:42","date_gmt":"2016-03-26T13:20:42","guid":{"rendered":"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/?p=313"},"modified":"2016-08-08T15:29:56","modified_gmt":"2016-08-08T14:29:56","slug":"troia-sagres-cap-iv","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/?p=313","title":{"rendered":"Tr\u00f3ia \u2013 Sagres \u2013 Cap. III"},"content":{"rendered":"<p>O terceiro tro\u00e7o do percurso foi de Melides at\u00e9 Ribeira de Moinhos (Sines).<\/p>\n<p>A imagem seguinte cont\u00e9m o percurso registado pela aplica\u00e7\u00e3o <a href=\"http:\/\/highwaystar.org\/\">Highway Star<\/a> que desenvolvi para o sistema operativo Android.<\/p>\n<p>O ficheiro KML do percurso est\u00e1 aqui: <a href=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/dados\/riaformosa\/Troia-Sagres-cap3.kml\">Troia-Sagres-cap3.kml<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Troia-Sagres-mapa-Cap4.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-315\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Troia-Sagres-mapa-Cap4-640x296.jpg\" alt=\"Troia-Sagres-mapa-Cap4\" width=\"640\" height=\"296\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Troia-Sagres-mapa-Cap4-640x296.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Troia-Sagres-mapa-Cap4-1024x474.jpg 1024w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Troia-Sagres-mapa-Cap4-100x46.jpg 100w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Troia-Sagres-mapa-Cap4.jpg 1801w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><\/p>\n<p>In\u00edcio: 24-03-2016, 07:20<br \/>\nVelocidade m\u00e9dia: 3.762 km\/h<br \/>\nTempo: 05h 40m 14.260s<br \/>\nEspa\u00e7o: 21.333 km<\/p>\n<p>Pass\u00e1mos Melides e, \u00e0 sa\u00edda, no entroncamento da EN261 com a sa\u00edda para a praia de Melides, encontr\u00e1mos um local rebaixado, escondido dos olhares de quem passava na estrada. Par\u00e1mos a\u00ed e jant\u00e1mos. O Pedro montou a tenda debaixo de uma azinheira e fomos dormir. A tenda dava apenas para duas pessoas, sem espa\u00e7o para as mochilas, botas ou sapatos. O s\u00edtio n\u00e3o era suficientemente escondido para eu deixar a minha mochila e as minhas botas fora da tenda, por isso, preferi dormir encolhido e acomodar a mochila e as botas na minha metade do espa\u00e7o interior.<\/p>\n<p>Pus o telem\u00f3vel e o tablet a carregar na bateria de chumbo e deitei-me. Estava frio. Tinha levado um saco cama quente e deitei-me com cal\u00e7as, meias e t-shirt. A meio da noite, a temperatura desceu e tive que vestir o casaco e colocar o gorro de l\u00e3. Apesar de estarmos a quatro quil\u00f3metros do mar, o ru\u00eddo das ondas foi constante durante toda a noite.<\/p>\n<p>Acordei v\u00e1rias vezes durante a noite com o vento e o frio. A dada altura, desliguei os dispositivos da bateria. Voltei a lig\u00e1-los \u00e0s 5h20 e j\u00e1 n\u00e3o dormi mais. \u00c0s 6h15 levantei-me, comi uma bola de arroz e uma tangerina, lavei os dentes e esperei que o Pedro estivesse pronto para continuarmos.<\/p>\n<p>\u00c0s 7h10 fui colocar as latas do jantar do Pedro no lixo e \u00e0s 7h20 partimos para Sines. \u00c0s 7h48 filmei alguns autom\u00f3veis que passavam depressa por n\u00f3s.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/oBOjEjfZ7Os\" width=\"640\" height=\"480\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>Um pouco mais \u00e0 frente, no cruzamento com a A26-1, apeteceu-me cantar o La Radio, do Eugenio Finardi.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/BB0LTFYJEto\" width=\"640\" height=\"480\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>\u00c0 chegada aos Brescos, cort\u00e1mos caminho por uma estrada de terra para evitar os autom\u00f3veis que passam depressa e sem respeito pelos transeuntes. O sil\u00eancio e a frescura do campo pela manh\u00e3 s\u00e3o revigorantes e n\u00e3o t\u00eam pre\u00e7o. Pena foi que s\u00f3 tenhamos tido um quil\u00f3metro de descanso.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-411\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap4-Brescos-1.jpg\" alt=\"Cap4-Brescos-1\" width=\"640\" height=\"480\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap4-Brescos-1.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap4-Brescos-1-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>Apesar das crises e de todos os tumultos financeiros em que vivemos, os sobreiros continuam a ser descascados na altura certa, como se a loucura do fundamentalismo econ\u00f3mico n\u00e3o conseguisse penetrar nos rudimentos mais b\u00e1sicos da vida das comunidades.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-412\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap4-Brescos-2.jpg\" alt=\"Cap4-Brescos-2\" width=\"640\" height=\"480\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap4-Brescos-2.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap4-Brescos-2-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>O Pedro bebe muita \u00e1gua e precisou de encher as garrafas. Encontr\u00e1mos uma senhora idosa, \u00e0 porta de casa, a estender a roupa lavada, e o Pedro pediu-lhe \u00e1gua. Ela acedeu e at\u00e9 leh perguntou se eu n\u00e3o queria \u00e1gua tamb\u00e9m. Ele respondeu-lhe que eu n\u00e3o bebia muito.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio da caminhada, eu tinha apenas bebido um litro de caf\u00e9, mas a \u00e1gua ainda estava intacta no cantil. Levava um litro de \u00e1gua e ainda n\u00e3o a tinha usado, a n\u00e3o ser um pequeno golo para lavar os dentes. N\u00e3o bebi \u00e1gua, mas comi apenas arroz, vegetais e fruta, ou seja, \u00e1gua!<\/p>\n<p>Enquanto a senhora enchia as garrafas ao Pedro, fotografei-lhe o jardim.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-413\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap4-Brescos-3.jpg\" alt=\"Cap4-Brescos-3\" width=\"640\" height=\"480\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap4-Brescos-3.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap4-Brescos-3-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>A estrada A26-1, logo ap\u00f3s Brescos, n\u00e3o tem berma para os pe\u00f5es. Temos que andar pela estrada e, sempre que necess\u00e1rio, resguardarmo-nos em cima das ervas rasteiras ou dos arbustos que ladeiam o alcatr\u00e3o. Por vezes, h\u00e1 uns brincalh\u00f5es que gostam de nos ver saltar para os arbustos, e foi o que me aconteceu nesta estrada, em que quase fui atropelado.<\/p>\n<p>Ao longo da estrada, os postes de eletricidade e de linhas telef\u00f3nicas t\u00eam sportes met\u00e1licos no topo para as cegonhas fazerem ninhos. Vimos v\u00e1rias dezenas de casais de cegonhas nos topos dos postes, neste estrada.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-414\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap4-Cegonhas.jpg\" alt=\"Cap4-Cegonhas\" width=\"600\" height=\"800\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap4-Cegonhas.jpg 600w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap4-Cegonhas-390x520.jpg 390w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap4-Cegonhas-75x100.jpg 75w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>De repente, ao chegarmos a Santo Andr\u00e9, aquela estrada estreita e sem bermas desembocou numa rotunda enorme e, do outro lado, tinha in\u00edcio uma autoestrada. Fic\u00e1mos sem saber por onde seguir. N\u00e3o consegui encontrar no mapa uma estrada alternativa. Pens\u00e1mos prevaricar e seguir a p\u00e9 pela autoestrada, pelo menos at\u00e9 encontrarmos uma via paralela que seguisse o mesmo rumo. Mas entretanto percebemos que a autoestrada ainda n\u00e3o tinha sido aberta: estava a funcionar em modo provis\u00f3rio, com uma faixa \u00fanica em cada m\u00e3o, e com um limite de velocidade de cinquenta quil\u00f3metros por hora. Havia pessoas a passar a p\u00e9 e ciclistas nas bermas. Decidimos ir tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>A estrada era t\u00e3o recente, que ainda se viam os desenhos pintados no ch\u00e3o, que assinalavam os locais onde deveriam ser colocados os sinais de tr\u00e2nsito. Fotografei um desenho de um sinal de ced\u00eancia de prioridade a 100 metros.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-416\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap4-A26-1.jpg\" alt=\"Cap4-A26-1\" width=\"600\" height=\"800\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap4-A26-1.jpg 600w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap4-A26-1-390x520.jpg 390w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap4-A26-1-75x100.jpg 75w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>A futura autoestrada A26-1 passa dentro de Santo Andr\u00e9, cortando-a ao meio. Tem alguns viadutos que possibilitam aos santoandrenses passarem por baixo da A26-1 e deslocarem-se entre Santo Andr\u00e9 Leste e Santo Andr\u00e9 Oeste, mas todos os anteriores cruzamentos de n\u00edvel foram eliminados. Ser\u00e1 tamb\u00e9m este o procedimento em cidades maiores, ou h\u00e1 cidad\u00e3os de primeira e cidad\u00e3os de segunda categoria no pa\u00eds? Lembro-me, por exemplo, do eixo norte-sul, na zona do Lumiar, em Lisboa, que foi todo constru\u00eddo em cima de um viaduto com alguns quil\u00f3metros de comprimento, para n\u00e3o cortar a cidade ao meio. E, al\u00e9m disso, foram colocadas barreiras sonoras, para minimizar o impacto do ru\u00eddo sobre a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Santo Andr\u00e9 foi constru\u00edda de raiz, na d\u00e9cada de 1970, para alojar os trabalhadores da regi\u00e3o industrial de Sines. Foi projetada para cem mil habitantes, mas n\u00e3o chegou a passar dos quinze mil. [<a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/portugal\/noticia\/a-cidade-que-40-anos-depois-continua-por-fazer-1666422\">1<\/a>] [<a href=\"http:\/\/santoandre.pt\/junta-de-freguesia\/historia\/historia-da-freguesia\/\">2<\/a>]<\/p>\n<p>A primeira vez que estive em Santo Andr\u00e9, foi em 1984, quando terminei a primeira caminhada vindo de Tr\u00f3ia pela areia, com a minha irm\u00e3 mais nova, o Lu\u00eds e o Paulo. Tive a sensa\u00e7\u00e3o de a cidade, ent\u00e3o vila, ser um projeto abandonado: casas vazias, por habitar, ningu\u00e9m nas ruas, ruas por limpar. O vento e o sil\u00eancio haviam tomado conta de todo aquele espa\u00e7o: desolador. Um projeto falhado, ou abandonado pelas entidades decisoras?<\/p>\n<p>Voltei a Santo Andr\u00e9 h\u00e1 dois anos e estranhei a diferen\u00e7a. Era uma cidade viva, embora n\u00e3o consiga perceber de que vivem os habitantes. Qual \u00e9 o motor daquela regi\u00e3o? As ind\u00fastrias de Sines? Talvez. Mas ainda assim fiquei com a sensa\u00e7\u00e3o de uma cidade falsa, tal como a nova Aldeia da Luz, para onde foram empurrados os habitantes da velha aldeia inundada pela bacia do Alqueva.<\/p>\n<p>A autoestrada que corta Santo Andr\u00e9 \u00e9 o corol\u00e1rio desta impress\u00e3o de terra abandonada: uma impress\u00e3o que eu tenho, alimentada pelos sinais que fui colecionando desde h\u00e1 anos; a impress\u00e3o de uma terra e uma popula\u00e7\u00e3o desrespeitada.<\/p>\n<p>Vila Nova de Santo Andr\u00e9, vista da A26-1<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-421\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap4-SantoAndre.jpg\" alt=\"Cap4-SantoAndre\" width=\"640\" height=\"480\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap4-SantoAndre.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap4-SantoAndre-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>Continu\u00e1mos pela A26-1 durante uns quil\u00f3metros. Apesar do limite de velocidade de 50 km\/h, os ve\u00edculos passavam a alta velocidade, o que n\u00e3o me deixava seguro nem descansado.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/PlA4exNXyG8\" width=\"640\" height=\"480\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>Par\u00e1mos debaixo de um viaduto, \u00e0 sombra, para descansar. Caminhar debaixo daquele sol, com a mochila \u00e0s costas e com botas pesadas e fechadas at\u00e9 acima do tornozelo, era um mart\u00edrio. \u00c0 sombra estava frio, e o vento que soprava ligeiro ajudou a recuperar o \u00e2nimo. Descalcei-me, despi o casaco e massagei os p\u00e9s. Apetecia-me ficar ali durante mais tempo, mas t\u00ednhamos que continuar. Consultei o mapa no tablet e percebi que havia uma estrada paralela, a oeste, que acompanhava a autoestrada at\u00e9 Sines. Decidimos, ent\u00e3o, abandonar a A26-1 e passar para a estrada alternativa.<\/p>\n<p>Salt\u00e1mos a veda\u00e7\u00e3o. Primeiro saltou o Pedro; depois eu passei-lhe as mochilas; e, por fim, saltei eu. Quando est\u00e1vamos do outro lado, percebi que t\u00ednhamos passado para a estrada que fica a leste. Aquela estrada, apesar de paralela \u00e0 autoestrada, n\u00e3o ia at\u00e9 Sines, por isso decidimos saltar de novo para a A26-1, passar o separador para as faixas descendentes, e saltar de novo a veda\u00e7\u00e3o para o caminho a oeste.<\/p>\n<p>Era uma estrada de terra e cascalho: \u00e1rida, seca, coberta de poeira branca. Foi um percurso dif\u00edcil. Talvez o pior de toda a caminhada. Do\u00eda-me o joelho esquerdo e fiz o caminho todo a coxear, a arrastar-me. O ritmo baixou para menos de 4 km\/h.<\/p>\n<p>Pass\u00e1mos junto de duas casas abandonadas: a primeira, de 1957, e a segunda, mais \u00e0 frente, de 1958.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-424\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap4-Casa-1.jpg\" alt=\"Cap4-Casa-1\" width=\"640\" height=\"480\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap4-Casa-1.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap4-Casa-1-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-425\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap4-Casa-2.jpg\" alt=\"Cap4-Casa-2\" width=\"640\" height=\"480\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap4-Casa-2.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap4-Casa-2-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>Par\u00e1mos junto a uma estrutura de bet\u00e3o, onde me sentei para massajar as pernas. Procurei um ramo de \u00e1rvore fino e forte para aplicar uma t\u00e9cnica de acupunctura: estimular o ponto E36 do meridiano do est\u00f4mago, um ponto muito utilizado pelos orientais desde h\u00e1 s\u00e9culos, para aumentar a capacidade de caminhada.<\/p>\n<p>Para encontrar este ponto, com a perna esticada, coloca-se a palma da m\u00e3o sobre a r\u00f3tula, com os dedos para baixo, sobre a perna. Deixa-se o dedo m\u00e9dio entre a t\u00edbia e o per\u00f3nio. No local onde a ponta do dedo m\u00e9dio cair, junto da t\u00edbia, fica o ponto E36 (ponto n\u00ba 36 do meridiano do est\u00f4mago).<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/estomago36.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1071\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/estomago36.jpg\" alt=\"estomago36\" width=\"398\" height=\"463\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/estomago36.jpg 398w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/estomago36-86x100.jpg 86w\" sizes=\"(max-width: 398px) 100vw, 398px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Espetei o pau neste ponto durante um minuto e depois massagei-o, pressionando, durante dois a tr\u00eas minutos.<\/p>\n<p>\u00c9 uma t\u00e9cnica tonificadora do organismo e do sistema de locomo\u00e7\u00e3o muito mais eficaz do que ingerir bebidas energ\u00e9ticas, ou do que outras t\u00e9cnicas qu\u00edmicas ou artificiais. J\u00e1 o tinha feito na travessia das ilhas da Ria Formosa, onde estimulei este ponto com o bico de uma concha partida.<\/p>\n<p>Mais recentemente, nos jogos ol\u00edmpicos do Rio de Janeiro, alguns atletas est\u00e3o a utilizar t\u00e9cnicas de medicina chinesa tradicional com os mesmos objetivos. [ver <a href=\"http:\/\/www.dn.pt\/desporto\/rio-2016\/interior\/o-que-sao-as-misteriosos-marcas-encarnadas-nos-atletas-olimpicos-5327431.html\">DN<\/a>]<\/p>\n<p>Com muito esfor\u00e7o, cheg\u00e1mos \u00e0 sa\u00edda n\u00ba1 da autoestrada, para Ribeira de Moinhos. O caminho para Sines, por Ribeira de Moinhos, permitia poupar dois quil\u00f3metros, pelo que sa\u00edmos da estrada paralela \u00e0 autoestrada e seguimos para a direita.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-426\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap4-RieiraDeMoinhos.jpg\" alt=\"Cap4-RieiraDeMoinhos\" width=\"600\" height=\"800\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap4-RieiraDeMoinhos.jpg 600w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap4-RieiraDeMoinhos-390x520.jpg 390w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap4-RieiraDeMoinhos-75x100.jpg 75w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>Era quase uma hora da tarde. Pelo caminho tinha telefonado ao Raul, que tinha combinado almo\u00e7ar connosco em Sines. Estava na A26, quase a chegar a Sines. Subiu para a A26-1 e virou na primeira sa\u00edda. Foi ter connosco a Ribeira de Moinhos e deu-nos uma boleia de dois quil\u00f3metros at\u00e9 Sines.<\/p>\n<p>Em condi\u00e7\u00f5es normais n\u00e3o ter\u00edamos apanhado boleia, mas o Ra\u00fal tinha pressa em almo\u00e7ar pois tinha que voltar a Lisboa para jantar com os filhos. A boleia pareceu-me a decis\u00e3o mais acertada para n\u00e3o atrasar algu\u00e9m que tinha vindo de prop\u00f3sito s\u00f3 para almo\u00e7ar connosco, fazer-nos companhia e dar-nos \u00e2nimo nesta caminhada louca.<\/p>\n<p>Ia \u00e0 procura de atum &#8211; a primeira vez que almocei em Sines comi um excelente bife de atum &#8211; mas n\u00e3o t\u00ednhamos muito tempo dispon\u00edvel para andar \u00e0 procura de atum pelos restaurantes de Sines, por isso, fic\u00e1mos no primeiro que encontr\u00e1mos.<\/p>\n<p>Almo\u00e7\u00e1mos no &#8220;Ba\u00eda de Sines&#8221;. As entradas foram mexilh\u00f5es fritos e duas postas de moreia frita. O meu almo\u00e7o foi polvo frito com alho e uma garrafa de 37,5 cl de Borba tinto 2006. Um vinho com 10 anos, com um toque de envelhecido, mas ainda suficientemente fresco para cortar a gordura da refei\u00e7\u00e3o. Fiquei satisfeito.<\/p>\n<p>Durante o almo\u00e7o, o Ra\u00fal, cujo pai foi uma alta patente do Ex\u00e9rcito, contou que em guerra, as marchas t\u00eam o limite de doze quil\u00f3metros di\u00e1rios, para evitar les\u00f5es nos soldados. N\u00f3s t\u00ednhamos andado quarenta e tr\u00eas quil\u00f3metros no dia anterior e, nesse dia, j\u00e1 \u00edamos com mais de vinte e um. E o meu joelho esquerdo j\u00e1 me estava a dificultar a desloca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Ra\u00fal prop\u00f4s-nos levar-nos de volta. Ponderei a proposta, mas recusei e decidi continuar. Obrigado, Ra\u00fal, pela companhia e pelo apoio.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-428\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap4-Moreia.jpg\" alt=\"Cap4-Moreia\" width=\"640\" height=\"480\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap4-Moreia.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap4-Moreia-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O terceiro tro\u00e7o do percurso foi de Melides at\u00e9 Ribeira de Moinhos (Sines). A imagem seguinte cont\u00e9m o percurso registado pela aplica\u00e7\u00e3o Highway Star que desenvolvi para o sistema operativo Android. O ficheiro KML do percurso est\u00e1 aqui: Troia-Sagres-cap3.kml In\u00edcio: 24-03-2016, 07:20 Velocidade m\u00e9dia: 3.762 km\/h Tempo: 05h 40m 14.260s Espa\u00e7o: 21.333 km Pass\u00e1mos Melides [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/313"}],"collection":[{"href":"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=313"}],"version-history":[{"count":23,"href":"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/313\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1075,"href":"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/313\/revisions\/1075"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=313"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=313"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=313"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}