{"id":331,"date":"2016-03-26T14:00:57","date_gmt":"2016-03-26T14:00:57","guid":{"rendered":"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/?p=331"},"modified":"2016-07-14T17:42:23","modified_gmt":"2016-07-14T16:42:23","slug":"troia-sagres-cap-viii","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/?p=331","title":{"rendered":"Tr\u00f3ia \u2013 Sagres \u2013 Cap. VII"},"content":{"rendered":"<p>O s\u00e9timo tro\u00e7o do percurso foi de Porto Covo at\u00e9 Vila Nova de Milfontes.<\/p>\n<p>A imagem seguinte cont\u00e9m o percurso registado pela aplica\u00e7\u00e3o <a href=\"http:\/\/highwaystar.org\/\">Highway Star<\/a> que desenvolvi para o sistema operativo Android.<\/p>\n<p>O ficheiro KML do percurso est\u00e1 aqui: <a href=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/dados\/riaformosa\/Troia-Sagres-cap7.kml\">Troia-Sagres-cap7.kml<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Troia-Sagres-mapa-Cap8.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Troia-Sagres-mapa-Cap8-640x296.jpg\" alt=\"Troia-Sagres-mapa-Cap8\" width=\"640\" height=\"296\" class=\"alignnone size-medium wp-image-332\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Troia-Sagres-mapa-Cap8-640x296.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Troia-Sagres-mapa-Cap8-1024x474.jpg 1024w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Troia-Sagres-mapa-Cap8-100x46.jpg 100w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Troia-Sagres-mapa-Cap8.jpg 1799w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><\/p>\n<p>In\u00edcio: 25-03-2016, 09:54<br \/>\nVelocidade m\u00e9dia: 2.945 km\/h<br \/>\nTempo: 04h 59m 38.576s<br \/>\nEspa\u00e7o: 14.709 km<\/p>\n<p>Sa\u00edmos de Porto Covo pr\u00f3ximo das 10h da manh\u00e3. Descemos at\u00e9 \u00e0 praia, pass\u00e1mos pela areia molhada, pois estava var\u00e9 vazia, e subimos pelo caminho que vai para a ilha do pessegueiro.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap8.PortoCovo.jpg\" alt=\"Cap8.PortoCovo\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-full wp-image-478\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap8.PortoCovo.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap8.PortoCovo-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>Caminh\u00e1mos pouco mais de um quil\u00f3metro por uma estrada de terra at\u00e9 ao entroncamento com a estrada de alcatr\u00e3o que vem da povoa\u00e7\u00e3o da Ilha do Pessegueiro. L\u00e1 ao fundo, vinham cinco cavaleiros: um instrutor e quatro aprendizes. Continu\u00e1mos pela estrada, seguidos pelos cavalos. Ao chegarmos ao forte que fica em frente \u00e0 ilha, encet\u00e1mos por uma estrada de terra novamente. Os cavaleiros seguiram-nos. O instrutor era um homem, jovem, que ia relatando alguns dados hist\u00f3ricos sobre as constru\u00e7\u00f5es que encontr\u00e1vamos pelo caminho. As aprendizes eram todas mulheres, m\u00e3e e filhas, e sorriam para n\u00f3, de quando em vez.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap8-Forte.jpg\" alt=\"Cap8-Forte\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-full wp-image-479\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap8-Forte.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap8-Forte-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>Um quil\u00f3metro abaixo do forte, pass\u00e1mos na praia do Queimado. Est\u00e1vamos prestes a entrar no trilho da Rota Vicentina. Os cavaleiros tinham seguido para leste, por um caminho mais largo. <\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap8-Queimado.jpg\" alt=\"Cap8-Queimado\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-full wp-image-480\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap8-Queimado.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap8-Queimado-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>N\u00e3o era minha inten\u00e7\u00e3o seguir a rota de ningu\u00e9m, eu descubro as minhas pr\u00f3prias rotas, mas esta rota era um percurso conveniente, ao longo da costa &#8211; embora, com muitos tro\u00e7os de areia, que dificultam a locomo\u00e7\u00e3o &#8211; e, ponderando as vantagens e desvantagens, decidi continuar.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap8-Rota-1.jpg\" alt=\"Cap8-Rota-1\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-full wp-image-481\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap8-Rota-1.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap8-Rota-1-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>Cerca de um quinhentos metros \u00e0 frente, reencontr\u00e1mos os cavaleiros. Na estrada de areia, estava um jipe parado. Avan\u00e7ou um pouco e parou de novo. Pass\u00e1mo-lo e cheg\u00e1mos a um cruzamento. O Pedro, apontou para a direita e disse: &#8220;Acho que por ali n\u00e3o h\u00e1 sa\u00edda&#8221;. Estava l\u00e1 outro jipe parado; entretanto o jipe anterior chegou e seguiu pela estrada &#8220;sem sa\u00edda&#8221;; os cavaleiros fizeram o mesmo. Parece que a estrada &#8220;sem sa\u00edda&#8221; era o trilho da Rota Vicentina. Mas n\u00f3s continu\u00e1mos pela esquerda.<\/p>\n<p>Nesse trilho de ningu\u00e9m, encontrei uma bota de beb\u00e9, n\u00famero sete, feita na China. Algu\u00e9m tinha ali parado e perdeu a bota do filho.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap8-Bota.jpg\" alt=\"Cap8-Bota\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-full wp-image-482\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap8-Bota.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap8-Bota-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>O Pedro arrependeu-se e comentou: &#8220;provavelmente engan\u00e1mo-nos, o caminho deve ser aquele do lado&#8221;. Eu nem respondi. Estava farto dos erros de navega\u00e7\u00e3o dele. E enquanto estiv\u00e9ssemos a andar para sul, eu n\u00e3o estava preocupado. Mais cedo ou mais tarde, haver\u00edamos de encontrar o outro trilho.<\/p>\n<p>Ao chegarmos \u00e0 praia dos Aivados, volt\u00e1mos a entrontrar os cavaleiros, vindos de oeste. Tent\u00e1mos seguir em frente, por um caminho privado, mas os c\u00e3es &#8211; pastores alem\u00e3es &#8211; fizeram-nos reformular as nossas op\u00e7\u00f5es. Descemos para a praia, e pass\u00e1mos por cima de um riacho, para voltar a subir a fal\u00e9sia.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap8-Aivados-1.jpg\" alt=\"Cap8-Aivados-1\" width=\"600\" height=\"800\" class=\"alignnone size-full wp-image-483\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap8-Aivados-1.jpg 600w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap8-Aivados-1-390x520.jpg 390w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap8-Aivados-1-75x100.jpg 75w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap8-Aivados-2.jpg\" alt=\"Cap8-Aivados-2\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-full wp-image-484\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap8-Aivados-2.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap8-Aivados-2-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>A paisagem, dali para sul, \u00e9 in\u00f3spita e de uma crueza indescrit\u00edvel. Lascas de pedra, areia polvilhada com pequenos tufos arb\u00f3reos que sobrevivem a maior parte do ano numa secura quase absoluta. A \u00fanica \u00e1gua que existe \u00e9 a do mar e \u00e9 salgada. Talvez de noite se formem got\u00edcolas de \u00e1gua pura na areia por condensa\u00e7\u00e3o e isso alimente aquelas plantas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap8-Lascas.jpg\" alt=\"Cap8-Lascas\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-full wp-image-485\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap8-Lascas.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap8-Lascas-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>And\u00e1mos dois quil\u00f3metros pela fal\u00e9sia a desfrutar daquela paisagem acre e desafiante. L\u00e1 ao fundo, na praia, a maior parte do terreno tinha sido areia, entrecortado por duas ou tr\u00eas centenas de metros de pedras redondas. Na pr\u00f3xima caminhada, se estiver uma mar\u00e9 bastante vazia, vou pela praia.<\/p>\n<p>Cheg\u00e1mos \u00e0 praia do Saltinho que se liga a sul com a prai do Malh\u00e3 e decidimos descer a fal\u00e9sia at\u00e9 \u00e0 areia.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap8-Saltinho-1.jpg\" alt=\"Cap8-Saltinho-1\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-full wp-image-486\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap8-Saltinho-1.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap8-Saltinho-1-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>Havia apenas um pescador na praia, em cima de uma rocha. O Pedro, j\u00e1 h\u00e1 muito que queria tomar banho de \u00e1gua doce e, em Porto Covo, os balne\u00e1rios p\u00fablicos estavam fechados. Indiquei-lhe um chuveiro improvisado, que algu\u00e9m montou na praia, e disse-lhe que se podia lavar ali. Era um tubo de polietileno preto que algu\u00e9m colocou na fal\u00e9sia, para encaminhar a \u00e1gua que escorria pelo vale at\u00e9 \u00e0 praia. Eu tinha o cantil cheio e n\u00e3o tinha sede, por isso n\u00e3o provei a \u00e1gua, mas o Pedro disse que era saborosa.<\/p>\n<p>Entretanto, despi-me e fui at\u00e9 ao mar dar uns mergulhos nas ondas, entre as rochas, com um mar agitado e a 14\u00baC. Foi bom. Para n\u00e3o molhar a toalha nem os cal\u00e7\u00f5es de banho, fui nu ao banho. Voltei, sequei-me ao sol, e voltei a vestir-me.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap8-Saltinho-2.jpg\" alt=\"Cap8-Saltinho-2\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-full wp-image-487\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap8-Saltinho-2.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap8-Saltinho-2-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>Entretanto, o Pedro decidiu tomar duche, mas come\u00e7aram a surgir caminhantes vindos de norte, da Rota Vicentina e a descer para a praia pela mesma encosta que n\u00f3s us\u00e1mos. O Pedro acabou por tomar duche por partes: primeiro a cabe\u00e7a, depois o resto.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"640\" height=\"480\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/7mrIsbM5XK4\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>E aqui vai o v\u00eddeo do duche.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"640\" height=\"480\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/VetvKR_9Gqk\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Descemos a praia do Malh\u00e3o, at\u00e9 chegarmos \u00e0s fal\u00e9sias de rocha. Subimos pela passadeira e continu\u00e1mos o caminho.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap8-Malhao.jpg\" alt=\"Cap8-Malhao\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-full wp-image-490\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap8-Malhao.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap8-Malhao-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>L\u00e1 de cima, as praias do Saltinho e do Malh\u00e3o t\u00eam um aspeto muito convidativo, limpo, puro e selvagem. Apare\u00e7am! Mas n\u00e3o estraguem.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap8-Malhao-2.jpg\" alt=\"Cap8-Malhao-2\" width=\"600\" height=\"800\" class=\"alignnone size-full wp-image-491\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap8-Malhao-2.jpg 600w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap8-Malhao-2-390x520.jpg 390w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap8-Malhao-2-75x100.jpg 75w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>Uns quinhentos metros mais abaixo, na Praia da Angra da Barreta, fotografei uma cegonha no ninho, no topo de uma rocha escarpada, no meio do mar. N\u00e3o fui o \u00fanico. Esta deve ser a atra\u00e7\u00e3o mais fotografada da Rota Vicentina.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap8-Cegonha.jpg\" alt=\"Cap8-Cegonha\" width=\"600\" height=\"800\" class=\"alignnone size-full wp-image-492\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap8-Cegonha.jpg 600w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap8-Cegonha-390x520.jpg 390w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap8-Cegonha-75x100.jpg 75w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>Pelo caminho, encontrei diversos arbustos de camarinheira. Tinha esperan\u00e7a de encontrar, ainda, algumas bagas para comer. As camarinhas come\u00e7am a surgir em setembro, mas j\u00e1 cheguei a colher v\u00e1rios quilogramas de camarinhas em mar\u00e7o, no Carvalhal. Ao longo dos anos, apercebi-me que as camarinheiras que est\u00e3o mais longe do mar, mant\u00eam os frutos durante mais tempo no arbusto. N\u00f3s \u00edamos a caminhar mesmo em cima da fal\u00e9sia, por isso, a esperan\u00e7a de encontrar bagas comest\u00edveis n\u00e3o era muita.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap8-Camarinhas.jpg\" alt=\"Cap8-Camarinhas\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-full wp-image-493\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap8-Camarinhas.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap8-Camarinhas-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>Por fim, encontr\u00e1mos uma camarinheira com uma d\u00fazia de camarinhas, j\u00e1 com um aspeto de estarem secas. N\u00e3o cheguei a prov\u00e1-las, porque naquele momento, o Pedro voltou a destinar comigo. Ele nunca tinha ouvido falar de camarinhas, fui eu que lhas mencionei pela primeira vez. DIsse-lhe que come\u00e7avam a aparecer em setembro, mas que j\u00e1 tinha colhido uns quilos em mar\u00e7o. Eis quando, depois de ter procurado e encontrado umas camarinahs na \u00e1rvore, o Pedro rematou: &#8220;acho que n\u00e3o h\u00e1 camarinhas agora; se dizes que aparecem em setembro, agora n\u00e3o h\u00e1&#8221;. <\/p>\n<p>Perdi o controlo, mas apenas internamente. &#8220;O que \u00e9 que este puto quer? Ouviu bem o que eu lhe disse. N\u00e3o conhecia as camarinhas. Tudo o que sabe sobre elas fui eu que lhe contei. Disse-lhe que j\u00e1 apanhei muitas em mar\u00e7o. O que \u00e9 que ele pretende? Provocar-me?&#8221; Apesar da irrita\u00e7\u00e3o, continuei. Calado.<\/p>\n<p>Par\u00e1mos mais \u00e0 frente, por cima da praia do Burdo, por volta das 13h, para o Pedro almo\u00e7ar. <\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap8-Burdo.jpg\" alt=\"Cap8-Burdo\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-full wp-image-502\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap8-Burdo.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap8-Burdo-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>Eu ainda n\u00e3o tinha fome e queria ir comer a um restaurante em Vila Nova de Milfontes. Gosto muito de caminhadas longas &#8211; horas e dias sem er ningu\u00e9m &#8211; mas gosto muito, tamb\u00e9m, de comer e beber boa comida e bom vinho. E se puder conjugar as duas coisas &#8211; o asceta e o mundano &#8211; acho que n\u00e3o h\u00e1 muito melhor que isto no mundo.<\/p>\n<p>A descansar, enquanto o Pedro almo\u00e7ava<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap8-Almoco-1.jpg\" alt=\"Cap8-Almoco-1\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-full wp-image-495\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap8-Almoco-1.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap8-Almoco-1-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap8-Amoco-2-1.jpg\" alt=\"Cap8-Amoco-2\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-full wp-image-498\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap8-Amoco-2-1.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap8-Amoco-2-1-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap8-Amoco-3.jpg\" alt=\"Cap8-Amoco-3\" width=\"640\" height=\"480\" class=\"alignnone size-full wp-image-497\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap8-Amoco-3.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap8-Amoco-3-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>Volt\u00e1mos ao caminho e o Pedro voltou a desorientar-se com o rumo: andava para oeste, a caminho do mar, seguro de que estava a andar para sul. N\u00e3o gostei, mas brinquei com a situa\u00e7\u00e3o. Come\u00e7ava a ficar com fome e tinha receio de chegar a Milfontes e de n\u00e3o me servirem almo\u00e7o. Eu queria almo\u00e7ar bem: um prato cheio, escolhido por mim, e n\u00e3o os restos de um restaurante, servidos como um ultimato &#8211; &#8220;\u00e9 isto ou nada&#8221; &#8211; como j\u00e1 me tinha acontecido v\u00e1rias vezes anteriormente.<\/p>\n<p>E a disrup\u00e7\u00e3o definitiva aconteceu. O Pedro sugeriu que caminh\u00e1ssemos novamente por um caminho para oeste, para chegarmos a um trilho mais abaixo, e eu disparei: comecei a andar depressa para sul e n\u00e3o mais parei. Ele gritou por mim duas vezes: da primeira perguntou-se se eu ia almo\u00e7ar; da segunda, apreveitei a deixa, e disse-lhe que ia comer. Fui depressa, muito depressa. Fiz aqueles \u00faltimos dois quil\u00f3metros em menos vinte minutos do que ele. Passei a direito por cima de tudo, e parei no primeiro restaurante que encontrei. Assim, ele conseguiria encontrar-me.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O s\u00e9timo tro\u00e7o do percurso foi de Porto Covo at\u00e9 Vila Nova de Milfontes. A imagem seguinte cont\u00e9m o percurso registado pela aplica\u00e7\u00e3o Highway Star que desenvolvi para o sistema operativo Android. O ficheiro KML do percurso est\u00e1 aqui: Troia-Sagres-cap7.kml In\u00edcio: 25-03-2016, 09:54 Velocidade m\u00e9dia: 2.945 km\/h Tempo: 04h 59m 38.576s Espa\u00e7o: 14.709 km Sa\u00edmos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/331"}],"collection":[{"href":"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=331"}],"version-history":[{"count":13,"href":"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/331\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":848,"href":"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/331\/revisions\/848"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=331"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=331"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=331"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}