{"id":334,"date":"2016-03-26T14:05:26","date_gmt":"2016-03-26T14:05:26","guid":{"rendered":"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/?p=334"},"modified":"2016-07-14T17:43:27","modified_gmt":"2016-07-14T16:43:27","slug":"troia-sagres-cap-ix","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/?p=334","title":{"rendered":"Tr\u00f3ia \u2013 Sagres \u2013 Cap. VIII"},"content":{"rendered":"<p>O oitavo tro\u00e7o do percurso foi em Vila Nova de Milfontes.<\/p>\n<p>A imagem seguinte cont\u00e9m o percurso registado pela aplica\u00e7\u00e3o <a href=\"http:\/\/highwaystar.org\/\">Highway Star<\/a> que desenvolvi para o sistema operativo Android.<\/p>\n<p>O ficheiro KML do percurso est\u00e1 aqui: <a href=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/dados\/riaformosa\/Troia-Sagres-cap8.kml\">Troia-Sagres-cap8.kml<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Troia-Sagres-mapa-Cap9.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-335\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Troia-Sagres-mapa-Cap9-640x296.jpg\" alt=\"Troia-Sagres-mapa-Cap9\" width=\"640\" height=\"296\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Troia-Sagres-mapa-Cap9-640x296.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Troia-Sagres-mapa-Cap9-1024x474.jpg 1024w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Troia-Sagres-mapa-Cap9-100x46.jpg 100w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Troia-Sagres-mapa-Cap9.jpg 1799w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><\/p>\n<p>In\u00edcio: 25-03-2016, 16:08<br \/>\nVelocidade m\u00e9dia: 4.839 km\/h<br \/>\nTempo: 00h 41m 41.030s<br \/>\nEspa\u00e7o: 3.362 km<\/p>\n<p>Parei no restaurante Porto das Barcas, no topo norte de Vila Nova de Milfontes, a quarenta metros do mar, com uma esplanada virada a poente: uma bela vista e \u00e0 sombra, que era o que eu precisava para arrefecer o corpo e os \u00e2nimos. Entrei, encomendei e vim-me sentar na esplanada.<\/p>\n<p>A costa alentejana est\u00e1 pejada de putos com aspeto de estarem bem na vida: ricos, com grandes carros e mulheres bonitas. Tinha sido assim em S\u00e3o Torpes, era agora assim em Milfontes. Detesto estes putos e o que eles representam, e os restaurantes que frequentam. Prefiro ir comer a uma tasca, com pessoas com vida. Pessoas que lutaram e sofreram para ter uma vida. Mas tinha feito um percurso de quase quinze quil\u00f3metros, os \u00faltimos a coxear com dores no joelho esquerdo, com um calor insuport\u00e1vel, e, al\u00e9m disso, tinha que ficar encontr\u00e1vel pelo Pedro. Os empregados do restaurante eram simples, mas profissionais. Trataram-me t\u00e3o bem como a outro cliente qualquer. Eu ia todo sujo, com as cal\u00e7as de ganga com que reparei o carro e tratei da horta nos \u00faltimos doze meses, a cheirar a suor, com o cabelo desgrenhado: feio, porco, sujo e&#8230; com cara de mau. Mas fui atendido como um doutor.<\/p>\n<p>Pedi um atum braseado &#8211; fixe, tinham atum! &#8211; e uma garrafa de vinho tinto Di\u00e1logo, Douro, 2013.<\/p>\n<p>Quando a senhora me trouxe o vinho a provar, n\u00e3o me soube a nada. Ali\u00e1s, soube-me a rolha. Mas disse-lhe que estava sem sabor por causa de ter estado a caminhar e que o vinho devia estar bom. Comi as entradas e, entretanto chegou o atum. Estava \u00e0 espera de uma prato de atum tradicional, mas veio um prato moderno: um lombo de atum, tostado por fora e quase cru por dentro, cortado em rodelas. Vinha acompanhado de vegetais cozinhados &#8211; cozidos e salteados em azeite e alho &#8211; exatamente o que eu estava a precisar depois de estar a caminhar h\u00e1 tr\u00eas dias.<\/p>\n<p>Entretanto o Pedro chegou. &#8220;Tio, \u00e9 a \u00faltima vez que me abandonas assim, sem me dizeres nada.&#8221; O qu\u00ea? Um ultimato? Ent\u00e3o e os ultimatos todos que eu n\u00e3o disse, mas que deixei transparecer? Por v\u00e1rias vezes mostrei estar chateado com as provoca\u00e7\u00f5es dele, mas ele continuou, e agora estava a fazer-me um ultimato?<\/p>\n<blockquote><p>Provavelmente devia ter sido mais claro a manifestar a minha indigna\u00e7\u00e3o, mas eu sou assim, n\u00e3o imponho a minha vontade a ningu\u00e9m &#8211; exceto em caso de guerra &#8211; e s\u00f3 trabalho com pessoas inteligentes e construtivas; os outros abandono-os pelo caminho; que sejam comidos pelos le\u00f5es.<\/p><\/blockquote>\n<p>Respondi-lhe: &#8220;ent\u00e3o terminamos por aqui&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;O qu\u00ea?&#8221;, inquiriu ele surpreso. E refez a retors\u00e3o: &#8220;desistes?&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Desistes?&#8221; pensei eu surpreso. Este sonho \u00e9 meu e ele pergunta-me se desisto? Acabou-se a conversa.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e2o desisto, volto mais tarde para acabar&#8221;, respondi-lhe.<\/p>\n<p>&#8220;Eu vou continuar&#8221;, disse-me ele e estendeu-me a m\u00e3o.<\/p>\n<p>Apert\u00e1mos as m\u00e3os e ele foi-se embora.<\/p>\n<p>Almocei bem. Almocei mesmo muito bem. Terminei com um caf\u00e9 duplo e fui comprar o bilhete do autocarro para casa.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-504\" src=\"http:\/\/riaformosa.wp.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap8-Milfontes.jpg\" alt=\"Cap8-Milfontes\" width=\"640\" height=\"480\" srcset=\"http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap8-Milfontes.jpg 640w, http:\/\/riaformosa.w3.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/03\/Cap8-Milfontes-100x75.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>O resto do percurso &#8211; at\u00e9 Sagres &#8211; ser\u00e1 conclu\u00eddo em breve, assim que o meu joelho o permitir.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O oitavo tro\u00e7o do percurso foi em Vila Nova de Milfontes. A imagem seguinte cont\u00e9m o percurso registado pela aplica\u00e7\u00e3o Highway Star que desenvolvi para o sistema operativo Android. 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