Cova do Vapor – Cabo Espichel

Entretanto, decidi fazer outra caminhada, desta vez da Cova do Vapor até ao Cabo Espichel, num dia apenas. Foram 32 km, 6h45m.

BicoAreia-CaboEspichel-3B

É um percurso que deve ser feito com a maré a vazar, talvez já com 3h de vazante, para se apanhar areia dura durante todo o percurso, o que facilita a caminhada.

O ficheiro KML do percurso está aqui: CovaDoVapor-Espichel.kml

Não consegui arranjar participantes, por isso fui sozinho.
Início, Cova do Vapor: 31-10-2015, 9h37m
Fim, Cabo Espichel (Ermida da Memória): 31-10-2015, 16h24m

De início, havia mais dois interessados: o Luís e a Cláudia. O Luís, como sempre ultimamente, desistiu em cima da hora. A Cláudia não quis ir sozinha comigo. DIsse-me, depois, que eu é que tinha dado a entender que não queria ir sozinho com ela. Provavelmente foi mesmo um mal entendido. Acabei por ir sozinho.

Tinha planeado sair às 7h da manhã, mas com estes reveses e porque o instituto de meteorologia tinha anunciado chuva, fiquei em dúvida sobre se havia mesmo de fazer o percurso. Estive mais de uma hora indeciso em casa e depois decidi ir assim mesmo. O céu descobriu, o sol apareceu e, apesar de estar um vento forte, decidi ir até à Cova do Vapor.

Tinha pensado levar os dois cães comigo, o Sami e o Raichú. O Sami é um cão rafeiro que encontrámos na rua já há muitos anos – uns sete ou oito – e gosta imenso de me acompanhar nas caminhadas que faço no cabo Espichel e na serra da Arrábida. O Raichú era um labrador preto, um cão que tinha sido abandonado aqui perto de casa, e que foi encontrado pela minha filha mais velha. Tinha um pelo bastante bonito, era jovem ainda, e, por isso, muito indisciplinado. Enquanto esteve connosco, estragou-me o jardim todo e defecava em qualquer lado – na varanda, no passeio – o que era cansativo, principalmente porque o Sami já não fazia nada disso, e já não estávamos habituados a esses comportamentos. Além disso o Raichú comia muito, o que era péssimo para o nosso orçamento. Tivémos que o oferecer a um vizinho de um amigo meu e, até agora, tem sido bem tratado.

O Sami é um cão mais leve e consegue saltar o portão de casa. Costuma sair muitas vezes para ir comer nos caixotes do lixo das redondezas. Nesse dia, quando saí, o Sami tinha desaparecido, por isso levei comigo apenas o Raichú.

Deixei o carro num estacionamento mesmo junto à praia e a um restaurante, na Cova do Vapor, e comecei a caminhada.

Desta vez fui calçado com umas botas Caterpillar, com que costumava andar no dia-a-dia. Eram uma botas bastante confortáveis e com a capacidade de permitirem deslocar-me em qualquer terreno. Nunca tinha feito uma caminhada tão grande com estas botas, por isso, não sabia que impacto teriam sobre os meus pés e se ao fim de uns quilómetros se manteriam cómodas.

Cova do Vapor, início da caminhada, com Lisboa ao fundo.
CovaDoVapor

O vento estava forte e o céu ameaçador. Poderia chover, mas com aquele tipo de núvens, a chuva seria aguaceiros. Soltei o cão e deixei-o correr pela praia, mas sempre que aparecia alguém, ou alguém com outro cão, tinha que o chamar, e ele nem sempre obedecia.

Na praia de São João da Caparica, havia um grupo grande de pessoas a fazer corrida de manutenção. Eram pessoas de várias idades, e sexo. Coriam para cá e para lá, ao longo da praia, pela grande extensão de areia molhada, proporcionada pela maré vazia.

Passei por eles, e o cão foi atrás do grupo. Eu chamava-o, mas eles chamavam-no também. Eu estava com imensa dificuldade em controlar o cão e eles, na brincadeira, pioravam a situação. Tive que parar para gritar até que o Raichú voltasse para perto de mim. Prendi-o à trela e passou a andar junto a mim, durante algum tempo.

Subimos ao paredão que protege as terras da Costa de Caparica da invasão do mar – e que se estende de São João, a norte, até ao fim da Costa, na Nova Praia, a sul – onde se caminha melhor do que pela a areia. Os pontões que entram mar adentro, e que servem de quebra-mares, também não permitem que se ande pela areia apenas, quando se atravessam aquelas praias da Caparica.

No paredão da Costa de Caparica
CostaDeCaparica

Soltei o cão novamente, e novamente ele fugiu, desta vez atrás de uma bola. Parei e esperei, e tive que o prender de novo. Soltei-o apenas, masi tarde, na Nova Praia, já depois do fim do paredão.

As praias da Costa de Caparica, desde a Nova Praia até à praia do Rei têm, com maré vazia, um entenso areal pouco inclinado, à sua frente até ao mar. E este areal ainda é mais extenso em dias de marés vivas, como era o caso daquele fim de semana, pois a lua tinha estado cheia no dia 27.

Durante anos, fui correr ou andar de bicicleta para aquelas praias, na época baixa, com a maré vazia. De todas aquelas praias, que compreendem a Nova Praia, a Praia da Saúde, a praia da Mata, a Praia da Riviera, a Praia da Rainha, a Praia do Castelo e a Praia do Rei, entre outras mais recentes, a minha preferida é a Praia da Saúde.

Praia da Saúde.
PraiaDaSaude

Gosto imenso da Praia da Saúde por causa das casas de madeira, outrora casas de pescadores, mas que foram sendo compradas por veraneantes, o que chegou a colocar muitas delas em risco de serem demolidas.

A partir da Praia do Rei, o areal ganha uma inclinação mais acentuada, o que dificulta a deslocação sobre a areia, não só pelo declive, mas também porque a faixa de areia molhada e compacta, boa para caminhar, é mais estreita.

As praias da Costa são servidas por um comboio de praia, que circula em cima da areia e tem paragens nas praias mais importantes: o Transpraia.

comboio

Lembro-me do comboio da Costa desde sempre: foi criado em 1960 e eu nasci dois anos mais tarde. Durante muitos anos o comboio partia do centro da Costa de Caparica, mesmo ao fundo da Rua dos Pescadores. Desde 2007, o terminal da Costa passou para a Praia Nova, o que lhe retirou muita visibilidade. O outro extremo da linha fica na Fonte da Telha, mesmo por cima de um restaurante de nome Terminal.

Fim da linha do comboio da praia
terminal

Chegada à Fonte da Telha, com o restaurante Terminal ao fundo.
FonteDaTelha

A zona da Fonte da Telha, devido às suas falésias de fácil acesso, é muito utilizada pelos praticantes de parapente. Como estava um tempo muito ventoso, os amantes desta modalidade aproveitaram o dia e os céus estavam cheios de asas coloridas. Captei uma quando me fotografei a mim e ao meu cão.

Raichu, o cão que me acompanhou no percurso todo, com um parapente ao fundo.
Raichu

Continuei a caminhar para sul. Já tinha andado cerca de dez quilómetros e a passada e o ritmo contínuos quase me tinham adormecido o cérebro. Estava a andar de forma automática, parecia um autómato, Só queria chegar ao fim, acontecesse o que acontecesse. E os acontecimentos, até ali, tinham sido de uma banalidade extrema.

Os meus olhos prenderam-se ao horizonte e segui. Reparei, entretanto, que havia um rasto de um veículo automóvel na areia molhada. Segui o rasto com o olhar e, ao fundo, entre a bruma da humidade marítima, vi os contornos do veículo em contraluz e pensei: “a polícia não vem aqui autuar estes tipos?” Não é permitido andar de carro na areia da praia e, ao longe, parecia-me ser o carro de um puto abusador, ou mesmo de um pescador, já que se vislumbravam algumas canas de pesca nas imediações.

À medida que me ia aproximando pareceu-me ver uns vultos a tentar levantar um corpo pelos pés e pelas mãos. A minha interpretação do cenário mudou naquele momento: “será a polícia a tentar levantar um corpo?”

Mais perto, no meu percurso entre a Fonte da Telha e a Lagoa de Albufeira, percebi que era a Marinha a recolher um morto. Alguém que se afogou e deu à costa já sem algumas partes moles do corpo.
Morto

Tentaram levantá-lo, mas ele escorregava e, provavelmente, estava a começar a desfazer-se. Não o conseguiram meter na caixa traseira da carrinha. Por isso, telefonaram a algum responsável a pedir indicações de como atuar.

Enquanto me aproximava, preparei o telemóvel para fotografar, mas sem querer, retirei o som ao telefone. Tentei fazer umas fotos e, como não ouvia o disparo, continuei a disparar, pensando sempre que havia qualquer problema com o dispositivo.

Um dos guardas aproximou-se de mim e disse-me que não podia fotografar. Eu respondi-lhe que o telefone estava com problemas e ele rematou: “Ainda bem”.

Prendi o cão para não se aproximar do morto e contornei o veículo por cima, pela areia seca, uma vez que o morto se encontrava mais abaixo, junto à água. Pedi para olhar para o morto, pois nunca tinha visto um afogado naquelas condições. Parte da pela estava desfeita. As partes moles tinham desaparecido, nomeadamente os olhos e os genitais. Era uma visão terrível de como uma pessoa pode terminar os seus dias. Virei-me para sul e continuei a caminhada.

Ao fim de um quilómetro, cheguei à mina.

A mina é uma reentrância na falésia por onde escorre a água que se infiltra na areia de toda a região arenosa a leste. Tem uma vegetação abundante que cobre toda a área, e há um curso de água que sai lá de dentro, mas que se infiltra na areia da praia, e não chega ao mar. É um bom sítio para os cães beberem água – e nós, casa tenhamos muita sede – por isso levei lá o meu cão, para saciar a secura daqueles primeiros doze quilómetros de percurso.

Dez minutos depois, outro choque: lá ao fundo, a sul, cinco turistas, três homens duas mulheres, talvez com mais de 60 anos, estavam a tentar colocar um golfinho, que tinha dado à costa com a ondulação forte, dentro de água. Só consegui fotografar de longe e contra o sol.

Golfinho

Quando me aproximei mais, já o golfinho – talvez com um metro e meio de comprimento – estava dentro de água. A ondulação estava muito forte, e o mar ali é muito perigoso. Posso dizer que arriscaram a vida pelo golfinho, que não estou a exagerar.

Para quem vinha a andar há duas horas, com a cabeça vazia de pensamentos, num espaço de banalidade quase absoluta, num mundo onde nada de relevante acontecia, o morto e o golfinho foram como dois socos no estômago que me fizeram acordar de imediato. Um jorro de adrenalina invadiu-me o corpo e manteve-me desperto por, pelo menos, mais uma hora.

Andei umas centenas de metros mais para sul e cheguei à Lagoa de Albufeira. Vinha preparado para passar a abertura da lagoa a nado, mas a passagem da Lagoa de Albufeira para o mar tinha assoreado. Eu tinha lá estado em junho, com os miúdos, a aproveitar a corrente descendente de água que faz da lagoa um parque aquático natural. Mas agora já não havia ligação da lagoa ao mar.

Lagoa de Albufeira ao fundo, e a areia que tapou o canal de comunicação com o mar.
LagoaDeAlbufeira

Naquele sábado, dia 31 de outubro, estava a decorrer um concurso de pesca na zona da Lagoa de Albufeira. Havia dezenas de pescadores, separados entre si talvez por um espaço de quinze metros. Muitas das canas estavam lançadas para o mar, o que me obrigava a desviar-me das linhas e a ter que subir para a areia seca, onde o andar é mais difícil.

Após os pescadores, voltei à faixa de areia molhada e continuei, agora, numa zona onde nunca tinha andado a pé. Já tinha vindo a pé, a correr, ou de bicicleta, várias vezes, desde a Costa até à Lagoa de Albufeira, mas dali para sul o caminho era novo para mim.

Logo a seguir à lagoa, a paisagem volta a apresentar uma falésia semelhante à que se segue à Fonte da Telha. No entanto, nalgumas zonas, o recorte é impressionante.

Entre a Lagoa de Albufeira e Alfarim há imensas falésias com recortes surpreendentes.
Alfarim

Para além das falésias lindíssimas, há também imensas bicas de água doce onde podemos beber água com a confiança de estarmos a beber uma água não poluída e, ao mesmo tempo, fresca e viva.

Pelo caminho há diversas fontes de água doce onde aproveitámos para beber água fresca.

Parei na praia das Bicas para almoçar, passava pouco das duas horas da tarde. Antes de almoçar decidi ir dar um mergulho. O mar estava muito agitado naquele dia, aliás como é usual naquela zona da costa oeste. Não só é agitado como é perigoso.

A faixa de areia que dá acesso à água tem, na praia das Bicas, uma inclinação muito acentuada. Quando a ondulação está forte, a água sobe e desce pela rampa de areia e ganha velocidades muito elevadas. Só quem nunca teve que lutar com o mar é que não percebe o perigo que aqueles movimentos de grandes massas de água representa.

Aproximei-me do limite onde as ondas chegavam, para avaliar a velocidade e a força da água. Era impossível ir mergulhar lá abaixo. As ondas teriam talvez três ou quatro metros mesmo no momento da rebentação. Ondas volumosas, com algumas dezenas de toneladas a rebentarem em cima da areia. Tinha que arranjar uma outra forma de mergulhar o corpo dentro de água, encontrar uma outra estratégia.

Esperei que uma onda rebentasse e que a água subisse até ao ponto máximo. Desci um pouco a rampa, virei-me com as costas para o mar e a cara para a falésia, e atirei-me para dentro de água, empranchado, com a barriga para baixo. Enquanto a água voltava ao mar, passou-me por cima do corpo todo, mas eu mantinha-me no lugar, porque tinha  os pés e as mãos afastados e enterrados na areia, para não me deixar levar.

Foi um mergulho único. Não convém abusar da sorte. Voltei para cima para almoçar.

Bicas

Levei duas sandes feitas por mim, com pão de cabeça e um bife de atum estufado pela Teresa na noite anterior. Comi a primeira sandes, que acompanhei com café que cozinho em casa também – café moído que ferve durante cinco minutos. Percebi, então, que o cão estava chocho. Deitou-se, quando costumava andar freneticamente a explorar as redondezas. Se tivesse sempre este coomportamento tão calmo, não o teríamos encaminhado para outra família.

Raichu-2

O cão não estava bem, mas sede não teria, pois bebeu água nas várias bicas que encontrámos desde a Lagoa de Albufeira. Tinha fome, provavelmente. Este cão costumava comer muito, portanto deveria estar a sofrer de alguma fraqueza. Partilhei a segunda sandes com ele, que devorou avidamente, tanto o atum como o pão, e logo arrebitou e ganhou ânimo para continuar.

Na praia das Bicas termina o caminho pela a areia e começa o caminho pelos trilhos do cabo. Já tinha percorrido cerca de vinte e cinco quilómetros, faltavam apenas sete, que por aquele caminho acidentado deveriam consumir pouco mais de uma hora e meia.

Praia das Bicas ao fundo, vista do topo do morro
Bicas-2

Subi o morro e caminhei pelos trilhos que levam até ao cabo Espichel. É um caminho que se consegue fazer em modo de navegação à vista, uma vez que o cabo está quase sempre visível, e não existem muitos becos sem saída, que nos obriguem a voltar para trás.

Foi a primeira vez que fiz aquele percurso. Alguns amigos meus têm feito caminhadas por ali, inseridos em grupos organizados, com guias que vão explicando o caminho: desde curiosidades históricas, até pormenores sobre a fauna, a flora ou a orografia.

Não é isso que eu busco nestas caminhadas. O que busco é a liberdade de escolha e de opção, em primeiro lugar; o desbravamento e a viagem, logo depois; a descoberta, o despojamento e a introspeção.

Cerca de quinhentos metros depois de deixar a praia das Bicas, há uma pequena praia de acesso difícil, onde tive que descer para poder passar a ravina que corta a montanha.

Praia-1

Pormenor do meu percurso para passar a ravina
Praia-2

Não encontrei um nome para esta praia, mas é um pequno enclave de areia que fica entre as praias das Bicas e da Foz.

A descida até à praia, e a subida da montanha, do outro lado, tornam o caminho mais difícil, obrigam a um maior esforço, e tornam tudo mais imprevisível. O meu joelho esquerdo já estava com dificuldade em aguentar o impacto do peso do corpo nas descidas. Tive que transferir os passos mais complicados para a perna direita, ou seja, passei a coxear nas descidas. Depois daquele acidente, quase logo no início do caminho de montanha, desejei que não houvesse muitos mais assim até ao fim.

Um pouco mais à frente, tive que descer quase até à praia da Foz. A descida não era tão inclinada como a anterior, mas também me custou a descer.

Passei a praia da Foz, Continuei pelo bordo da falésia e contornei a praia do Rebenta Bois. Tinha sido preferível utilizar um caminho mais no interior, pois aquele era, por vezes, muito estreito e passava mesmo no bordo da montanha.

Rebenta-Bois

Passei por zonas mais pedregosas, zonas de vegetação rasteira, e outras mais arborizadas. Cruzei, também alguns cursos de água que, nalguns casos, tinham enlameado todo o caminho e tornavam a passagem difícil.

Tirei algumas fotografias à vegetação e à paisagem. Seguem-se duas dessas fotos.

Armeria pungens
Armeria-pungens

Pedras verdes no Espichel
PedrasVerdes

Ao fim de uma hora e meia, após ter deixado a praia das Bicas, cheguei ao miradouro de onde se pode observar a Pedra da Mua, que é uma laje onde ficaram gravadas pegadas de dinosauros do período Jurássico.

Na pedra da Mua
PedraDaMua

Praia dos Lagosteiros, com a igreja do Espichel ao fundo
PraiDosLagosteiros

Faltava apenas contornar a praia dos Lagosteiros, para chegar ao fim do percurso. Demorei cerca de vinte minutos a fazê-lo, já em esforço, com algumas dores no joelho, sempre que tinha que vencer alguma descida mais acentuada.

Cheguei, por fim à igreja de Nossa Senhora do Cabo, mas só parei o registo do percurso quando cheguei à Ermida da Memória.

Nossa Senhora do Cabo
NossaSraDoCabo

Ermida da Memória
Ermida_da_Memoria

Epílogo

Durante o percurso, depois dos primeiros dez quilómetros, as unhas dos pés começaram a incomodar-me. Não me lembrei de cortá-las antes da caminhada e o facto de estarem constantemente a bater na frente das botas, começou a causar-me dores. Fiquei com duas unhas vermelhas, com sangue pisado por baixo, e uma dessas unhas – a unha do dedo pequeno do pé direito – caíu dois meses mais tarde. Percebi que tenho que cortar as unhas dos pés o mais rente que for possível, e depois, tenho que limá-las de forma a que não toquem nos sapatos.

As botas também mostraram não ser as mais adequadas. Fiquei com algumas dores nos pés, principalmente no local onde os atacadores terminavam, por cima dos tarsos. Mas só na caminhada seguinte é que percebi que, para caminhadas tão grandes e exigentes, tinha que arranjar calçado mais adequado.

A Teresa foi buscar-me ao Espichel. Já lá estava, quando cheguei. Parámos cerca de dois quilómetros depois, numa pastelaria do lado esquerdo, a minha preferida da região, para eu beber uma cerveja: talvez a cerveja mais rápida que já bebi. Foi difícil sair do carro e foi difícil voltar a entrar, tais eram as dores nas pernas, nos joelhos e nos pés. Voltámos à Cova do Vapor, para ir buscar o meu carro, e aproveitámos para tirar uma fotografia ao pôr-do-sol.

CovaDoVapor-2