Figueira da Foz – Porto – Cap. V

O quinto troço do percurso foi do Forte de Barra até São Jacinto.

A imagem seguinte contém o percurso registado pela aplicação Highway Star que desenvolvi para o sistema operativo Android.

O ficheiro KML do percurso está aqui: Figueira-Porto-cap5.kml

Figueira-Porto-Cap-5

Início: 05-08-2016, 12:45
Velocidade média: 2.695 km/h
Tempo: 00h 36m 38.788s
Espaço: 1.646 km

Foi uma correria. Tinha prometido a mim mesmo que não esforçaria mais as articulações, nem as pernas nem os tendões. Estava desgastado e queria conseguir chegar ao Porto. Mas o horário do barco, e a distância até ao cais de embarque, obrigaram-me a correr. Corri com a mochila às costas, aos saltos, e com as cartilagens a ceder, e consegui chegar a tempo.
Cheguei a tempo de ver o barco – o ferry – ainda a sair de São Jacinto. Vinha atrasado.
 
Quando parei na Costa Nova para fotografar aquelas casas de ripas verticais, às cores,tirei uma peça de fruta da mochila. Era uma laranja com uma forma estranha que tinha trazido da nossa fruteira, em casa, uns dias antes. Para não perder muito tempo, tirei a casca da laranja com os dentes. Mas enquanto descascava a laranja, a minha opinião sobre aquela peça de fruta citrina mudava a cada dentada. Era cada vez menos doce, cada vez mais ácida. E ainda não a tinha provado. Pensei: “o verão não é época de laranja, mas tão ácida assim nunca tinha visto”.
Descasquei-a até ao fim, apesar do sabor ácido e amargo da casca. Fui guardando as cascas na mão, enquanto caminhava à procura de um caixote do lixo.
À primeira dentada percebi que tinha trazido um limão. Parei. Pensei: “Vou deitar isto fora”. Mas depois, e devido à escassez de meios a que a minha atitude de peregrino me obrigou, comi os dois gomos que tinha na boca e guardei o resto do limão para outros momentos.
Entretanto, o barco chegou. Tinha-me sentado e descalçado. A mochila estava no chão e eu repondia às mensagens que me enviavam pela net. Calcei-me e embarquei. A silhueta de uma miúda bonita distraiu-me dos meus pensamentos dispersos. Tinha um aspeto rebelde. Fez-me lembrar a Maria nos tempos do início da paixão. Da paixão que não acaba. 🙂

Queria almoçar em São Jacinto. O sítio tinha todas as caraterísticas de um local onde se poderia comer boa comida portuguesa, boa comida tradicional daquela zona. Bastaram cinco minutos para encontrar um restaurante do meu agrado.

“Restaurante O Terminal, em S. Jacinto. A miúda tem trissomia 21, mas conseguiu-me uma caldeirada para um, que dá para três. Já não janto”, foi o meu comentário naquele momento.

Guardei a caldeirada que sobrou nas caixas vazias onde tinha trazido as bolas de arroz – onigiri – que levo sempre para os primeiros dois dias das minhas caminhadas.

Enquanto almoçava, passou uma mulher espampanante, com uma minissaia curta, saltos altos, e umas meias de rede. Atrapalhado, lá consegui fotografá-la, mesmo já a desaparecer. E fui o único. Nas redondezas, várso tentaram, mas falharam. Na mesa do lado estavam umas doze pessoas, entre eles vários homens que me convidaram para beber um copo – e ainda me ofereceram uma garrafa de tinto para levar na caminhada -, em troca, enviei-lhes a foto da “maluca” por bluetooth. 🙂

PS: Curiosamente, hoje, no fim de 2018, quando escrevia isto, estava também a comer caldeirada. E essa caldeirada ia sobrar para as próximas 4 ou 5 refieções. 🙂

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