Ilhas da Ria Formosa – capítulo II

O segundo troço do percurso foi a passagem da barra do Ancão, ou Barrinha.

Chegámos à Barrinha às 19h50m do dia 25 de setembro de 2015. A maré ainda não tinha entrado pelas pequenas ilhas de areia adentro e era possível passar a barra sem ser a nado. Era de noite e a lua cheia ainda não tinha aparecido no céu, por isso não conseguíamos ter uma visão geral da barra.

Na realidade esta zona era uma entrada de água para a ria, substituta da barra assoreada que tinha existido anteriormente, dois ou três quilómetros mais a oeste, e muito mais assoreada do que a anterior Barrinha.

O meu calcanhar direito tinha uma mancha de sangue pisado e isso dificultava-me o andar. As articulações dos dois pés, entre o tarso e o metatarso estavam doridas e ainda só tínhamos cumprido o primeiro troço do percurso. A necessidade de chegar à barra do Ancão à hora do estofo da maré podia ter posto em causa toda a restante caminhada. Mas agora, daqui para a frente, os prazos a cumprir eram muito menos exigentes, portanto pensei que poderia vir a recuperar a condição física e que poderia continuar a caminhar normalmente nos dias seguintes.

Vestimos os calções de banho, guardámos a roupa nas mochilas e entrámos na água. Ao fim de vinte ou trinta metros chegámos a terra. Tinhamo-nos molhado apenas até à cintura. Voltámos a vestir-nos e continuámos a caminhada. Só então percebemos que estávamos numa pequena ilha de areia e tivémos que voltar a vestir os calções de banho.

Ouvia-se o mar ao fundo, a sul, e, apesar da lua ainda não estar visível, havia uma luminosidade que permitia distinguir a superfície plana da água, calma e sem ondulação à nossa volta e em torno de dezenas de ilhotas a perder de vista. Pequenas ilhas de areia de cor negra e dourada, rodeadas de água completamente lisa – não havia vento – escura como crude, pontuada aqui e ali por pequenas manchas cintilantes e prateadas, como ouro e prata cobertos por uma película de celuloide.

Entrámos de novo na água e caminhámos para sudeste pelo meio das poças, com as mochilas em cima das pranchas de bodyboard e com a água até ao meio do peito. Andámos aos esses, na escuridão, durante vinte e seis minutos até conseguirmos chegar à ilha da Barreta, conforme o mapa abaixo.

A imagem seguinte contém o percurso registado pela aplicação Highway Star que desenvolvi para o sistema operativo Android.

O ficheiro KML do percurso está aqui: RiaFormosa-cap2.kml

Ilhas-mapa-02

Início: 25-09-2015, 19:51
Velocidade média: 2.048 km/h
Tempo: 00h 26m 27.164s
Espaço: 0.903 km

O percurso dentro de água aliviou-me as dores nos pés. À chegada à Barreta, ou ilha Deserta como também é conhecida por não ter habitações nem população residente, fiquei com a sensação de que as mazelas tinham desaparecido. No entanto, assim que recomeçámos a caminhar, agora com a lua já no horizonte leste, as dores voltaram. Tivémos que abrandar o ritmo da marcha.

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