Tróia – Sagres – Cap. XI

O décimo primeiro troço do percurso foi de Cavaleiro até à Praia do Carvalhal.

A imagem seguinte contém o percurso registado pela aplicação Highway Star que desenvolvi para o sistema operativo Android.

O ficheiro KML do percurso está aqui: Troia-Sagres-cap11.kml

Troia-Sagres-mapa-Cap11

Início: 01-04-2016, 07:39
Velocidade média: 4.518 km/h
Tempo: 02h 50m 32.813s
Espaço: 12.842 km

Levantei-me antes das 7h. Era dia 1 de abril. Tinha estado imenso frio de noite, mas o sol começava a aquecer o ambiente. Arrumei a tenda, comi uma bola de arroz e pus-me a caminho. Logo de início apanhei duas paisagens adoráveis que fotografei. Não sei se eram intrinsecamente bonitas, ou se foi do contraste com a noite mal passada.

Carvalhal-01
Carvalhal-02

Continuei durante mais dois quilómetros, sempre a direito, pelo mesmo caminho. Cheguei, então, a um entroncamento, com um caminho para a esquerda, para leste, que ia dar à estrada alcatroada mas, segundo o mapa do Google, podia continuar em frente. Continuei.

Trezentos metros mais à frente, tive que entrar numa propriedade privada para poder continuar o caminho encetado. O Google não é claro nos caminhos que apresenta e, por vezes leva-nos a engano.

Saltei a vedação eletrificada e continuei. Um pouco mais abaixo, dei com a casa de apoio ao terreno e tive receio de encontrar lá alguém.

Carvalhal-03

Era uma casa ladeada por um lago de água doce (37.567279 N, 8.787417 W), provavelmente recolhida no canal de irrigação que passa quatrocentos metros a norte. Pensei: “Deve haver por aí um cão e, se dá o alarme, sou apanhado”.

Assim que virei a esquina da casa, um labrador creme levantou-se e ladrou três vezes. Depois, rodou sobre si próprio e deitou-se de novo. Nem tive tempo de reagir e o cão já estava de novo deitado.

Continuei o percurso até encontrar a estrada de alcatrão. Tive que saltar um portão para sair do terreno e chegar ao caminho municipal CM1158. Prefiro andar por estradas de terra, para evitar o perigo dos automóveis que circulam depressa no alcatrão. As estradas de alcatrão nem sempre têm bermas que permitam aos caminhantes deslocarem-se em segurança.

Um pouco mais à frente, estava uma ave de rapina de pequeno porte, cuja espécie não identifiquei, morta na estrada.

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A partir do Porto das Barcas, a estrada tem uma via reservada a caminhantes, que se prolonga até à Zambujeira do Mar. Pelo caminho, há uma série de pequenas praias que, àquela hora, não tinham ninguém. Cheguei à Zambujeira do Mar às 9h30m.

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A Zambujeira estava em obras, inclusive na praia, onde havia obras para contenção da ribeira.

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Após a praia da Zambujeira, há uma subida íngreme que tive que vencer. Lá em cima, apeteceu-me cantar. Peter Hammill, Happy Hour. Desfrutem.

O litoral do Alentejo está a ser invadido por estufas. Vi estufas já em utilização, estufas a serem construídas, terrenos a serem aplanados para a implantação de estufas, raízes de árvores a serem rmovidas do chão, árvores a serem cortadas… e árvores que ainda não foram cortadas.

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Remoção de raízes de árvores, com estufas ao fundo.
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Entretanto cheguei à praia do Carvalhal, uma praia que não conhecia, mas que adorei. Tenho que voltar lá quando tiver tempo, para uns mergulhos mais prolongados.

A praia do Carvalhal é um enclave entre duas encostas rochosas, virada a noroeste, a direção de onde vêm as ondas na maior parte do ano. O ideal é escolher um dia com maré vazia, ou com ondas inferiores a um metro. Adorei a praia e estava mesmo a precisar daquela água gelada, para arrefecer os pés e o resto das articulações.

Fui ao banho nu, e só depois é que reparei que estava um casal do outro lado da praia, protegido por um recanto nas rochas. Mas não devo ter assustado ninguém 🙂

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