Tróia – Sagres – Cap. XIII

O décimo terceiro troço do percurso foi do Brejão até ao Rogil.

A imagem seguinte contém o percurso registado pela aplicação Highway Star que desenvolvi para o sistema operativo Android.

O ficheiro KML do percurso está aqui: Troia-Sagres-cap13.kml

Troia-Sagres-mapa-Cap13

Início: 01-04-2016, 13:11
Velocidade média: 3.979 km/h
Tempo: 03h 26m 45.959s
Espaço: 13.711 km

O Alentejo está coberto por uma rede de canais de irrigação para a agricultura. Depois de almoçar, fotografei mais um desses canais.

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Um pouco mais à frente, comecei a descer para Odeceixe. Já se via o Algarve, já se via a serra de Monchique.

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Quinze minutos mais tarde, cheguei ao Algarve. Cruzei a ponte sobre a ribeira de Seixe e sentei-me à sombra do cartaz que anuncia o Algarve, para descansar os pés.

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Dez minutos depois, cheguei a Odeceixe. A estrada de Odeceixe para sul tem imensas curvas, é muito íngreme de início, e não tem bermas para os caminhantes. É muito perigoso caminhar por essa estrada, por isso, pesquisei, previamente, no mapa, uma alternativa. A melhor alternativa para sair de Odeceixe a pé, a caminho do sul, é subir a Rua 25 de Abril até chegar ao canal de água.

Pelas ruas íngremes de Aljezur, deparei com uma senhora idosa que apanhava a roupa que estava estendida na corda. Queria apanhar aquele momento, sem que ela percebesse, para poder captar a naturalidade do ato. Usei o tablet, com a câmara frontal, nas mãos caídas; carreguei no botão e saiu isto.

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No cruzamento da Rua 25 de Abril, com a Rua da Charneca, fotografei esta enorme e bonita planta ornamental.

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Continuei a caminhada para sul. Ao fim de dois quilómetros, voltei a cruzar-me com o canal de água que abastece os agricultores da região.

Entretanto, decidi cantar mais um tema que me assaltou a cabeça naquele momento: Ashes to Ashes, do David Bowie.

Cerca de quatro quilómetros a sul de Odeceixe, já muito próximo de Maria Vinagre, mesmo por cima do canal de água, encontrei um belga que vinha a caminhar ao longo do canal. Ele queria saber onde estávamos e por isso liguei o tablet e identifiquei o local: 37.405762 N, 8.784370 W.

Perguntou-me de onde eu era, se era holandês. Respondi-lhe que era português. Não sei se era a resposta que ele queria ouvir. Portugal tinha ganho à Bélgica, três dias antes, por 2-1 num jogo de preparaçaõ para o campeonato europeu de futebol, e por isso é que acho que ele aventou que eu, um tipo vinte centímetros mais baixo que ele, e de pele escura, fosse holandês, ao invés de português. Não lhe falei do jogo, para não criar ali uma situação de imparidade.

Falámos de caminhadas. Ele tinha um mapa com todos os canais do Alentejo e Algarve. Não sei onde o arranjou, mas é excelente para quem anda a pé pelo sul do país. Acabei por saber que aquele canal ia até ao Rogil. Eu já tinha decidido fazer o percurso de Maria Vinagre até ao Rogil pela estrada de alcatrão. Era uma opção perigosa, mas não tinha encontrado alternativa. Aquela informação, naquele momento, foi fundamental para poder continuar a caminhar em segurança, por caminhos florestais.

Despedi-me dele e continuei até ao Rogil. Eis o primeiro vídeo do percurso ao longo do canal:

Ao longo do canal, há diversas comportas que são abertas para fazer a irrigação dos campos. O som da água a correr numa dessas comportas inspirou-me e criei um poema:

Adoro água
A água é uma coisa maravilhosa
Mas não é para beber, claro
Para beber, prefiro vinho

Estes canais são como rios ou ribeiras, têm uma fauna viva de rãs, peixes e inclusive cágados. Vi três cágados a apanhar sol à beira do canal, que saltaram para dentro de água assim que me viram.

Cheguei ao Rogil e comprei umas garrafas de água. Uma delas, uma garrafa de Água das Pedras fresca, bebi-a sem respirar. A outra, usei-a para encher o cantil.

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Adoro o Rogil. Gosto imenso das casas de piso térreo, que deixam ver um céu enorme, que deixam os olhos respirar. Sempre que passava de carro no Rogil, nas minhas viagens para o Algarve, vivia uma sensação de tranquilidade e serenidade, devido a esse espaço todo. Um dia parei numa pastelaria para comprar um lanche para os meus filhos, e nunca mais deixei de parar no Rogil. Descobri, nesse dia, que o Rogil tem uma das melhores pastelarias que conheço. Tem bolos secos de fabrico próprio com receitas de cariz tradicional, ou variações próximas de bolos tradicionais: bolos de amêndoa e de noz, entre outros. E o pão também é bom. A loja já sofreu algumas alterações – melhoramentos – no aspeto interior, mas a qualidade dos bolos não se alterou.

Entrei na pastelaria para lanchar: pedi oito bolos e três cafés.

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